Plínio Bortolotti

“Entre ritos, risos e batalhas”, livro de Oswald Barroso

No próximo dia 14 de Janeiro de 2012 (sábado), às 17 horas, será lançado o livro “Entre ritos, risos e batalhas”, de Oswald Barroso.  A obra reúne cinco textos para teatro da produção recente do autor. Na ocasião o Grupo Teatro de Caretas e artistas convidados fará a leitura dramática de um dos textos do livro: “Todomundo, Nada e Ninguém”.  O evento será no Theatro José de Alencar.

Entre Ritos, Risos e Batalhas é uma publicação da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, incluída nas Edições Theatro José de Alencar. Reúne os textos para teatro: “Vaqueiros”, “Auto do Caldeirão”, “O milagre”, “Família Raimundo”, e “Todomundo, Nada e Ninguém ou O biscateiro que deu um chute no saco do juiz”. Traz ainda um prefácio do crítico paraibano, radicado em Pernambuco, Carlos Newton Júnior, e um comentário sobre a peça “Vaqueiros”, da jornalista Geísa Matos.

Leia o restante do texto de divulgação do livro.

Os textos apresentados são partes de um trabalho teatral de mais de 36 anos e dão prosseguimento à busca de Oswald Barroso por um teatro que combine traços da realidade cotidiana com seus correspondentes no inconsciente coletivo. O rico mundo da vida e do imaginário popular, sempre presentes em seus textos, faz aflorar um universo em que sonho e razão apresentam-se indestrinçavelmente ligados.

Geralmente baseados em fatos da vida real, os textos de “Entre ritos, risos e batalhas” procuram evidenciar os elementos que os transportam à condição de índices da trágica aventura humana, transitando entre o sagrado e o profano, o eterno e o efêmero, o local e o universal. Todos os cinco textos foram escritos no calor do fazer teatral, entre pesquisas, ensaios e experimentações, de companhias teatrais orientadas pelo próprio Oswald, o que lhes garantem adequada funcionalidade cênica. Neles, o emprego de estruturas épicas possibilita o livre trânsito entre o trágico e o cômico, o realismo e a farsa, o racional e o onírico.

Embora apenas dois dos textos, “Auto do Caldeirão” e “Todomundo Nada e Ninguém” se enquadrem no chamado teatro de cordel, também nos demais a linguagem da cultura popular tradicional está presente, com suas festas, folguedos, formas e fórmulas da literatura oral. Tais características indicam transposições cênicas em que o simbolismo das palavras pode resultar fortemente sugestivo para a imaginação do espectador.

“Vaqueiros” explora o universo sertanejo da pecuária, com sua índole épica e sua moral rígida, onde convivem como lados da mesma moeda, a delicadeza e a violência, o amor e o ódio, a lealdade e a vindita. “Auto do Caldeirão”, que tematiza a vida do Beato José Lourenço e sua Irmandade da Santa Cruz do Deserto, é a versão em cordel de um texto anterior do próprio autor. Pela importância do fato histórico tratado, assim como pela agilidade do texto em cordel, impõe-se na obra de Oswald Barroso como um dos mais significativos, tendo recebido inúmeras montagens por grupos de teatro nordestinos, entre os quais o Alegria, Alegria, do Rio Grande do Norte, em temporada de mais de 500 apresentações.

“O milagre” é um monólogo teatral protagonizado pela Beata Maria de Araújo, no qual paixão e sensualidade emergem de um amor espiritual similar ao experimentado nos transes extáticos de santas como as Terezas de Lisieux e D’Ávila.

Os dois últimos textos, “Família Raimundo”, e “Todomundo, Nada e Ninguém”, exploram fatos da vida na periferia das grandes cidades, num estilo que combina elementos das farsas populares renascentistas e dos programas policiais veiculados pela mídia. Neles, o riso inteligente é usado como recurso da razão crítica e do desvelamento dos mecanismos de opressão e desigualdade social.

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