Plínio Bortolotti

A Guarda quer se armar

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Meu artigo publicado na edição de hoje (29/3/2012) do O POVO.

Ilustração de Hélio Rôla (clique para ampliar)

A Guarda quer se armar
Plínio Bortoltotti

A Guarda Municipal de Fortaleza, capitaneada pelo sindicato da categoria, está fazendo um movimento – que inclui paralisação de atividades – reivindicando o uso de armas de fogo.

A campanha intensificou-se depois de dois acontecimentos diferentes no domingo, quando dois agentes foram feridos a bala em um terminal de ônibus, e foram assaltados os caixas eletrônicos, na Câmara Municipal, com guardas sendo feito reféns.

A análise dos dois episódios mais fragiliza do que reforça a tese que defende o uso de armas de fogo. Mesmo que os guardas na Câmara estivessem armados, eles teriam sido rendidos, com o agravante de que os assaltantes teriam levado o armamento. E, quanto à agressão no terminal – apesar de os jornais não detalharem como foi o acontecido -, se os guardas tivessem respondido ao fogo, no meio da multidão, haveria o risco de mais pessoas saírem feridas.

Isso quer dizer que os agentes devem ficar desprotegidos? A resposta é não.

Os representantes da Guarda deveriam usar a energia reivindicatória para buscar meios de treinar seus profissionais como verdadeiros agentes comunitários, procurando, com afinco, meios materiais e humanos para atuar de modo primordialmente preventivo e não repressivo.

Emulando a Polícia Militar é bem provável que eles atraiam para si a desconfiança que a PM desperta em setores expressivos da população, pelo modo violento, autoritário e desrespeitoso como uma boa parte de seus agentes costumam agir contra as pessoas a quem deveriam servir.

Se os guardas municipais agissem como verdadeiros agentes da cidadania eles poderiam ter reconhecimento equivalente ao dos bombeiros. Ou seja, ter o respeito e a confiança da comunidade é uma proteção muito mais efetiva do que ter um revólver na cintura.

Os representantes da Guarda afirmam que uma lei federal autoriza o uso de armas de fogo – é verdade: mas não obriga. Portanto, o debate não se cinge ao terreno legal, mas em saber o que é melhor para os cidadãos e para a própria Guarda.

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