Plínio Bortolotti

Os “descartáveis” e os leitores

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Meu artigo publicado na edição de hoje (29/8/2012) do O POVO.

Arte: Hélio Rôla (clique para ampliar)

Os “descartáveis” e os leitores
Plínio Bortolotti

Devido ao artigo da semana passada, Os descartáveis da América, recebi vários e-mails – e comentários postados no blog. Os elogios, deixo para lá; melhor é a troca de ideias.

Um dos e-mails interessantes foi de uma leitora dizendo que o artigo propiciara bom debate em seu trabalho, a favor e contra. Meu objetivo principal é este mesmo: fazer com que as pessoas reflitam sobre os assuntos expostos. A mais, em vários textos, divulgo ideias com as quais posso ter discordância: como articulista também gosto de fazer jornalismo.

Pois bem, afirmei no artigo: “A direita prima pelo individualismo, sem se importar com destino do semelhante: uma espécie de ‘luta de todos contra todos’. A esquerda, ao contrário, demanda pela igualdade, pela solidariedade, pela distribuição justa das riquezas, pela compaixão com o ser humano”.

Disseram-me ingênuo ou de ainda viver na “adolescência intelectual”. Outros me criticaram por coisas que não escrevi – e abomino: acusaram-me, por exemplo, de compactuar com os massacres cometidos em nome da esquerda. Ler o que o outro não escreveu chama-se “interincompreensão regrada”, fenômeno que já conhecia por experiência, mas cujo nome e conceituação aprendi com o professor Sírio Possenti.

Reconheço que neste espaço é difícil aprofundar ideias, mas respondi que o conceito direita/esquerda, por mim exposto, funda-se na formulação do filósofo italiano Norberto Bobbio: “(…) de um lado estão aqueles que consideram que os homens são mais iguais que desiguais [esquerda], de outro os que consideram que são mais desiguais que iguais [direita]”. Portanto, para a direita, a desigualdade é “natural”; para a esquerda, pode ser superada.

Para evitar mal entendidos: não se trata de preconizar “igualdade total”, o que levaria ao totalitarismo. Os homens nunca serão “iguais” em todos os sentidos, mas a redução das desigualdade sociais nos levará em direção a uma vida melhor – para todos.

 

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