Plínio Bortolotti

Fuga do Campo 14 – Os horrores das prisões em que a Coreia do Norte mantém seus “inimigos políticos”

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A Mel é desobediente e só faz o que quer, por isso é contra os regimes autoritários (clique para ampliar)

A primeira imagem que me veio à mente quando comecei a ler Fuga do Campo 14 foi a dos campos de concentração nazistas, em seguida lembrei-me do filme Distrito 9, ficção científica aterradoramente realista.

Estado militar

O fato é que história Shin Dong-huyk, a única pessoa que conseguiu fugir de um dos campos de prisioneiros da Coreia do Norte, nos lança nas profundezas dos horrores de um regime em que os líderes – uma dinastia “comunista” – são reverenciados como deuses, sob a pressão de um Estado totalitário-militar.

Fora do mundo

Mas o interessante é que Shin, nascido e criado no Campo 14, nos quais os prisioneiros eram obrigados a trabalhar até morrer, era de uma “casta” tão baixa – de “inimigos políticos” do regime -, que não tinha nem mesmo o “privilégio” de conhecer a “bondade” dos líderes. Completamente segregados da sociedade, os prisioneiros do Campo 14, não tinham a mais vaga noção do que ocorria para além das cercas elétricas da prisão, nem mesmo no seu próprio país.

Eram tratados – e se consideravam – como animais,  capazes de entregar a própria mãe à sanha dos carrascos a troco de um pequeno aumento na ração diária, que os mantinham semivivos e semi-humanos.

O homem que nunca tinha ouvido a palavra “amor”

Durante a narrativa, o próprio Shin – que antes de fugir do campo nunca ouvira a palavra “amor” – declara, por diversas vezes: “Tenho a impressão de que estou me tornando humano”, quando começou a perceber que era capaz de chorar e de ter sentimentos.

Vida e morte

Os guardas do Campo 14 tinham o poder de vida e morte sobre os prisioneiros. O fuzilamento imediato era a pena mais comum para quem descumprisse “As dez leis do Campo 14”, que tratava desde tentativas de fuga, proibição de falar com mais de uma pessoa e proibição de “convivência entre os sexos”, além da obrigação de “vigiar uns aos outros e denunciar imediatamente qualquer comportamento suspeito”. As execuções eram públicas e até as crianças eram obrigadas a assisti-las.

O livro

Da editora Intrínseca, o livro foi escrito pelo jornalista americano Blaine Harden. Narra a fuga de Shin e sua longa jornada pela própria Coreia do Norte, China e Coreia do Sul – e  dá uma boa noção de como funciona o regime norte-coreadno. Shin fugiu no ano de 2005, quando tinha 23 anos. Atualmente, ele mora nos Estados Unidos e atua em ONGs que denunciam os campos de concentração na Coreia e acolhe dissidentes do regime.

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