Plínio Bortolotti

Cypherpunks: “Privacidade para os fracos, transparência para os poderosos”

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Perturbador. É o que se pode dizer da leitura de Cypherpunks, escrito por Júlio Assange (criador do WikLeaks), juntamento com outros militantes da internet livre, Jacob Appelbaun, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann. Na verdade, o livro é fruto de uma conversa entre eles, na embaixada do Equador, em Londres, onde Assange se encontra refugiado.

Um soldado embaixo da cama

Em uma de suas intervenções Assange  equipara a vigilância na internet  a uma “ocupação militar”. Chegou a tal ponto, diz ele, que é como se cada um de nós tivesse “um soldado embaixo da cama”. Para Assange, “todos nós vivemos sob uma lei marcial no que diz respeito às nossas comunicações, só não conseguimos enxergar os tanques, mas eles estão lá”.

Interceptação maciça

Que havia interceptação de comunicações eu já sabia, o que aprendi com o livro é que o negócio não é seletivo: os arquivos são guardados em massa. Isto é, tudo o que é falado aos telefones e escrito na internet, são depositados em enormes servidores, ao alcance do governo, a qualquer momento.

“Vamos pegar tudo”

“Nos dias de hoje é mais eficiente dizer ‘vamos pegar tudo e esmiuçar depois'” (andy Müller-Maguhn). Segundo os autores, existem hoje equipamentos, relativamente baratos, com os quais é possível armazenar dados de uma população inteira. Para Assange, o celular é “um dispositivo de monitoramento que também faz ligações”.

Vigilância privada

Além da vigilância estatal, Jérémie Zimmermann destaca a vigilância privada: “Se você for um usuário padrão, o Google sabe com quem você se comunica, quem você conhece, o que está pesquisando e, possivelmente, sua preferência sexual, sua religião e suas crenças filosóficas”. Para ele, Facebook e Google podem ser considerados “extensões” das agências de espionagem americanas.

Censura “democrática”

Jacob Appelbaun diz que os governos do ocidente agem de forma parecida com os ditadores quando se “cai em desgraça aos olhos dos poderosos”. Appelbaun é um exemplo disso. Pesquisador do Tor Projetct, sistema online que possibilita a resistência à vigilância e contornar a censura na internet, ele é detido para averiguação a cada vez que tem de sair (ou entrar) nas fronteiras de seu próprio país: os Estados Unidos.

Internet livre

Mas é claro que esses ativistas são a favor da internet. O que eles querem é um espaço cibernético livre, descentralizado, fora do controle dos governos, controlado pelos próprios usuários. Para isso, lutam pela disseminação do software livre e da criptografia, que possibilitaria e proteção dos dados por parte dos internautas e também de se expressarem de maneira anônima. A consigna dos Cypherpunks é “Privacidade para os fracos, transparência para os poderosos.

Cypherpunks: grupo que defende o uso da criptografia e outros métodos para enfrentar a vigilância na internet. Opõem-se a qualquer tipo de regulamentação estatal na rede. Cypher = escrita cifrada ou criptografada.

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