Plínio Bortolotti

Fortaleza Terra de ninguém

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Meu artigo publicado na edição de hoje (25/4/2013) do O POVO.

Arte: Hélio Rôla

Arte: Hélio Rôla (clique para mapliar)

Fortaleza terra de ninguém
Plínio Bortolotti

Em junho de 2009, na administração da prefeita Luizianne Lins (PT) iniciei uma seção em meu blog com o título Fortaleza terra de ninguém; resolvi encerrá-la no ano passado, pois não queria que fosse caracterizada como favorável ou desafavorável a uma ou outra candidatura.

Anotei, no primeiro post, que o objetivo era mostrar “absurdos” que acontecem em nossa cidade na “ocupação desrespeitosa do espaço público”. Foram 178 posts, uma boa parte (talvez a maioria) contribuição de leitores, que me enviavam queixas acompanhadas da respectiva prova: a foto da, digamos assim, “ocorrência”.

Os posts me custaram seguidos apelos de assessores da prefeitura, que reclamavam da “campanha” que eu fazia. Receber pressão de assessores de políticos – aconteceu e continua acontecendo – é algo que o jornalista se acostuma, pois nenhum deles fica satisfeito, a não ser que que se teçam loas e reverências, a cada edição, a seus assessorados.

Pois bem, nada indica que o atual prefeito, Roberto Cláudio (PSB), passados 100 dias de sua gestão, vá enfrentar os piores pesadelos urbanos: calçadas ocupadas pelo comércio e pelo lixo e usadas como estacionamento; propaganda de todo tipo correndo frouxa em outdoors, fachadas, postes e muros, ruas estreitas em que é permitido estacionar dos dois lados, entre outras mazelas.

Falando em trânsito, algumas medidas simples o desafogariam: proibir estacionamento sobre calçadas; impedir estacionamento (pelo menos) em um dos lados das ruas; autorizar consertos em vias e poda de árvores somente em horários de pouco movimento (mesmo modo cargas e descargas). A par de tudo, fiscalização rigorosa com agentes de trânsito. Não estou falando apenas em aplicar multa (isso tem demais), mas prevenir o delito e educar os reclacitrantes.

Tomar medidas assim nada custaria ao erário – só a coragem da autoridade responsável para enfrentar um setor ensandecido da classe média, para dar um basta ao caos urbano.

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