Plínio Bortolotti

Dominque Wolton: na contramão do louvor às novas tecnologias – “Internet, e depois?”

Internet

Clique para ampliar

Em Internet, e depois? Uma teoria crítica das novas mídias, Dominique Wolton aprofunda a crítica que faz aos “novos meios de comunicação”, objeto também de seu livro Informar não é comunicar. Wolton é sociólogo e pesquisador do CNRS (centro nacional de pesquisa da França), e em se tratando dele, a crítica que faz à “Net”, não é algo superficial: ele procura pôr  a técnica no lugar da técnica, pois “para a comunicação, as teorias são sempre mais importantes do que as tecnologias”.

Não são as técnicas que transformam

Wolton afirma que não são as técnicas de comunicação que transformam a sociedades, porém o movimento de cada época que lhes dá sentido: “É a Reforma que deu sentido à revolução da imprensa e não a imprensa que permitiu a Reforma. Da mesma forma o rádio e depois a televisão, que tiveram tal impacto por estarem ligados ao profundo movimento em favor da democracia de massas”.

A importância da TV

Defensor da importância do rádio e da TV, para ele mais importante do que as novas tecnologias, crítico daqueles que condenam os meios de comunicação de massa, Wolton anota que “a desconfiança permanente em relação às mídias de massa é tão proporcional quanto a confiança absoluta nas novas tecnologias”. Para ele, “ao invés de considerar a televisão como uma oportunidade  para a cultura de massas, as elites viram uma máquina de influenciar mentes e a ‘baixar o nível cultural’, retomando assim a antiga aversão contra a comunicação coletiva”. Wolton diz que a televisão fascina ao ajudar “milhões de indivíduos a viver, a se distrair a a compreender o mundo”.

O público nunca é passivo

Dominique Wolton vai adiante, afirmando ser impossível reduzir o papel dos meios de comunicação de massa “à manipulação das consciências”, mostrando profunda confiança nos receptores: “O público nunca é passivo ou alienado”, por isso “o controle das imagens não assegura o controle das mentes”. Para Wolton, desconfiar do público, seria o mesmo que desconfiar da democracia de massa, pois se este esta apto a votar, porque não estaria em condições de receber criticamente o que é veiculado pela mídia? “Em meio século”,  lembra Wolton, as mídias de massa “não provocaram a padronização das opiniões e das ideias”.

A televisão une os indivíduos

A televisão, segundo Wolton, serve para “unir indivíduos e públicos”, oferecendo-lhes a possibilidade de “participar de uma atividade coletiva”. “A televisão é um formidável instrumento de comunicação entre os indivíduos. Para Wolton as mídias de massa tem importância capital para uma sociedade democrática: “Salvar o rádio e a televisão não é somente um desafio para a comunicação, mas também para democracia”.

> A propósito: Dominique Wolton é a favor da regulamentação dos meios de comunicação, incluindo a Internet.
> Uma advertência: Wolton não é contra a técnica, ele apenas a põe sob observação crítica.
> Um elogio: a editora Sulina está de parabéns pela edição das obras de Dominique Wolton.
> Uma queixa: eu só não entendo porque a Sulina insiste em fazer capas tão ruins para seus livros.

 

Recomendado para você