Plínio Bortolotti

Espionagem americana: “Nem muito devagar, nem tão depressa”

Meu artigo publicado na edição de hoje (19/9/2013) no O POVO.

Foto: Drawlio Joca (clique para ampliar)

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Nem muito devagar, nem tão depressa
Plínio Bortolotti

Alguns colunistas de “grife” – esses que passeiam nas telas de TV e nas colunas de alguns “grandes” jornais e revistas -, e se acham moderninhos, mas prestam vassalagem aos países do “primeiro mundo” (coisa mais antiga e brega, sem ofensa à música romântica), criticarão a medida que a presidente Dilma Rousseff tomou, suspendendo a viagem que faria aos Estados Unidos.

Antes da decisão, já tachavam a medida de “bravata” e “chavismo” (e outras expressões de efeito, porém vazias), dizendo que o Brasil não poderia se dar ao luxo de brigar com a potência americana, sem correr o risco de perder negócios.

Sem entrar no mérito de que para a Casa Branca a parceria como o Brasil é umas das estratégicas de sua política internacional, incluindo a econômica, esses colunistas comportam-se como versão atualizada do velho programa “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Para eles, a presidente já deveria ter aceitado uma desculpa qualquer, deixando o dito pelo não dito.

Entretanto, se Dilma capitulasse, sem que a Casa Branca desse explicações ou sem pedir desculpas pela espionagem, seria demonstração de extrema fragilidade, incompatível com a importância do Brasil no cenário mundial.

Atitude assim, seria admitir a subordinação, um atestado que o país não tem instituições para defender a sua soberania, nem de seus cidadãos, que também tiveram correspondência e ligações telefônicas violadas.

Porém, é óbvio que a ação do governo não poderia ser atabalhoada, de modo a levar a um rompimento das relações entre os dois país. Coisa que, diga-se, nem Obama e nem Dilma querem, e nem seria de interesse dos povos brasileiro e americano.

A tática encontrada pelo Brasil – não sair muito devagar, de modo a parecer provocação, e nem correndo para não parecer medo – foi a mais adequada, incluindo a solução honrosa para ambos os países, quando – diplomaticamente – se informa que o adiamento do encontro foi uma decisão tomada conjuntamente.

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