Plínio Bortolotti

Jeri e Cocó: tão longe, tão perto

Nesta semana (de 22/10 a 26/10/2013) substituo Érico Firmo, o titular da coluna Política, do O POVO.  Segue a coluna desta sexta-feira (23/10).

TÃO LONGE, TÃO PERTO: JERI E COCÓ

Uma estrada de 12 quilômetros opõe dois secretários do governador Cid Gomes (Pros), conforme mostrou matéria publicada na edição de ontem neste jornal. Trata-se do asfaltamento de um trecho entre a cidade de Cruz até à comunidade de Preá, praia vizinha a Jericoacoara.

PELO ASFALTO
Bismarck Maia (secretário do Turismo) defende a pavimentação, afirmando que a melhoria do acesso levará “desenvolvimento para a região”, ao mesmo tempo em que atende à demanda dos moradores. Afirma ainda que o caminho até à praia de Jericoacoara, por sobre as dunas, não será alterado.

PELA PIÇARRA
O secretário-chefe da Casa Civil, Arialdo Pinho classifica a demão de piche como “pensamento de político e empresário oportunista e idiota”. Para ele quem faz isso desconhece o “valor do intocável” e o “valor do simples” em turismo. Arialdo apelou para que a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) interviesse na pendenga, pois o asfaltamento, segundo ele, dar-se-á em zona de amortecimento do Parque Nacional de Jericoacoara (cerca de 300 km de Fortaleza).

E O COCÓ?
Ok, está tudo muito bem, está tudo muito bom. Arialdo defende que o parque seja protegido, de acordo com a legislação vigente. Mas seria interessante entender porque o interesse ecológico do secretário não se estende também para as intervenções – incluindo viaduto e ponte estaiada – projetadas em uma área de proteção bem mais perto dele: o parque do Cocó.

Em tempo: o post do Facebbok em que Arialdo Pinho faz as considerações é do mês de junho, mas continua recebendo “curtidas”. As declarações de Bismarck Maia foram dadas esta semana ao jornal.

SEGURANÇA
Por cerca de seis horas o secretário da Segurança Pública, Servilho Paiva, falou na quarta-feira na Assembleia Legislativa. O tempo de permanência confronta-se com as ralas explicações fornecidas pelo secretário a respeito dos projetos que pretende implementar

De concreto, a única coisa a ser efetivada, será a política de “vidros abaixados” nos carros do Ronda do Quarteirão. O secretário disse que o policial precisa “baixar o vidro, sair da zona de conforto”, aproximando-se mais dos moradores das áreas patrulhadas. Para ele, isso iniciará um “novo momento” do programa.

Ainda é pouco para um programa que surgiu despertando grande esperanças, porém deteriorou-se rapidamente. Mas não deixa de ser uma nova oportunidade para tornar o Ronda, de fato, uma polícia comunitária.

A propósito: o Palácio da Abolição também poderia adotar essa política de “baixar os vidros”.

REVÉS
Até o senador Cristovam Buarque (PDT), crítico do governo, elogiou a presidente Dilma Rousseff (PT) pelo desagravo que ela fez ao médico cubano Juan Delgado pela vaia e xingamentos que ele recebeu de seus colegas cearenses.

Buarque escreveu em seu Twitter: “Senti-me representado pela @dilmabr (Dilma Rousseff) quando ontem pediu desculpas ao médico cubano hostilizado por brasileiros na chegada a Fortaleza”.

O constrangimento que o Sindicato dos Médicos do Ceará quis impor aos profissionais estrangeiros acabou recaindo sobre a entidade e sobre os participantes do ato de intolerância.

DONOS DO MUNDO
A poderosa chanceler alemã, Angela Merkel, também teve seu telefone devassado pela NSA (que desbancou a CIA como a mais importante agência espionagem) em um pacote que vasculhou aparelhos de 35 líderes mundiais.

Agora que está se revelando a extensão da espionagem americana – que vai para além dos “inimigos” e das vítimas de sempre, os países periféricos – talvez resulte alguma medida que suste essa verdadeira invasão praticada pelos Estados Unidos.

OCUPAÇÃO MILITAR
No livro Cypherpunks Julian Assange (fundador do Wikleaks) já havia alertado – antes das revelações de Edward Snowden – que a vigilância na internet equivale a uma “ocupação militar”. Para ele, é como se cada um de nós tivesse “um soldado embaixo da cama”. Assange diz que “todos nós vivemos sob uma lei marcial, no que diz respeito às comunicações, só não conseguimos enxergar os tanques, mas eles estão lá”.

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