Plínio Bortolotti

Para acordar o Ano Novo

Meu artigo publicado na edição de hoje (26/12/2013) do O POVO.

Arte: Hélio Rôla

Arte: Hélio Rôla

Para acordar o Ano Novo
Plínio Bortolotti

“(Para você ganhar um belíssimo Ano Novo) Não precisa / fazer lista de boas intenções / para arquivá-las na gaveta. / Não precisa chorar arrependido / pelas besteiras consumadas / nem parvamente acreditar / que por decreto de esperança / a partir de janeiro as coisas mudem / e seja tudo claridade, recompensa, / justiça entre os homens e as nações, / liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, / direitos respeitados, começando / pelo direito augusto de viver. / Para ganhar um Ano Novo / que mereça este nome, / você, meu caro, tem de merecê-lo, / tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, / mas tente, experimente, consciente. / É dentro de você que o Ano Novo / cochila e espera desde sempre.”

Meus amigos, meus inimigos (se os tiver), meus eventuais leitores. Dei uma revisada nos artigos que escrevi durante este ano, e observei que só lhes ofereci assuntos duros e arestas: política, economia, problemas de nossa cidade, enfim, agruras a cada quinta-feira.

Portanto, quero dar-lhes e a mim, um pequeno refresco nestes últimos dias do calendário. Como é nula minha capacidade de compor poemas e falha minha habilidade para escrever crônicas ou doces palavras, sirvo a vocês trecho da “Receita de Ano Novo”, poema de Carlos Drummond de Andrade, que sabia versar com competência sobre qualquer assunto e dar aos mais comezinho deles o brilho das grandes coisas e ao mais notável, uma simplicidade reconfortante.

Portanto, hoje, não vou falar da falta de segurança, da precariedade da saúde, da carência de uma educação de qualidade, de promessas que governos fazem e não cumprem, da falta de sensibilidade e dos abusos de boa parte dos políticos, dos problemas urbanos que enfrentamos, entre outras mazelas com as quais (não) nos acostumamos.

É uma pequena trégua nesses últimos dias do calendário do ano que se vai. Ao mesmo tempo, convido-os, como faz o poeta, a acordar o Ano Novo que cochila dentro de todos nós.

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