Plínio Bortolotti

FHC, Collor e Joaquim Barbosa

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Meu artigo publicado na edição de hoje (2/1/2014) do O POVO.

Arte: Hélio Rôla

Arte: Hélio Rôla

FHC, Collor e Joaquim Barbosa
Plínio Bortolotti

Depois do breve refresco oferecido aos leitores na quinta-feira passada – em forma de um poema de Carlos Drummond de Andrade – à guisa de bons votos de Ano Novo, volto aos meus resmungos habituais. É a queixa de como se torna cada vez mais temerário pensar de modo independente em um país envenenado pela disputa polarizada que se instalou entre a “esquerda” e a “direita” ou os “petralhas” e a “tucanalha”, na linguagem rebaixada usada por esse tipo de gente, de um lado e de outro.

Quem ousa desafinar o tropel da manada – repito: de um lado ou de outro – costuma experimentar a munição pesada desses grupos. É que, vez por outra, acontece comigo. Já fui chamado de “espião da CIA” (risos) quando me insurgi contra agressões que certa esquerda patrocinou contra a jornalista Yoani Sanchez, opositora do regime castrista, quando ela esteve por aqui. Nos artigos em que defendi a presença dos médicos cubanos no Brasil, fui classificado como “comunista” e “ateu” (e alguns médicos ameaçaram não me atender, caso precisasse de hipocráticos cuidados). Bom, não tenho culpa se existem pessoas cegas às nuanças, que abdicam do direito (e do dever) de pensar livremente e submetem-se aos preconceitos da horda.

Mas por que essas reminiscências? No artigo de 21/11/2013, Justiça ou sensacionalismo  disse que o presidente do STF, Joaquim Barbosa, estava agindo como um político, aventurando-se a uma candidatura à Presidência da República. Anotei com todas as letras: se assim for, “esperem um novo Collor”. Por óbvio, recebi e-mails me chamando de “petista”.

Mas ora, ora, quem fez exatamente a mesma comparação, com todos os éles e érres? O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o nome mais representativo do PSDB, em entrevista para o portal Uol: FHC crê que candidatura de Joaquim Barbosa seria “aventura”. Seria FHC o mais novo “petista” na praça ou é alguém com poder de análise muito acima da capacidade de seus áulicos?

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