Plínio Bortolotti

Cocó: a miséria do debate

Meu artigo publicado na edição de hoje (16/1/2014) do O POVO.

Arte: Hélio Rôla

Arte: Hélio Rôla

Cocó: a miséria do debate
Plínio Bortolotti

Será que a política transformou-se, por um lado, em sinônimo de capitulação e, por outro, em mera troca de acusações, que nada acrescenta ao debate público e aos reais interesses dos desavisados cidadãos que elegem esses políticos beligerantes?

O governador Cid Gomes (Pros) e seu irmão Ciro Gomes (secretário da Saúde) estão se especializando em uma modalidade chamada “bate-boca”. Ciro chamou de “burgueses e maconheiros” às pessoas que ocuparam o parque do Cocó, na tentativa de impedir a construção de um viaduto no local. Agora vem Cid dizendo que os divergentes deles no assunto defendem um hipotético “Cocó dos ricos”, em contraposição a um suposto “Cocó dos pobres”.

É certo que os citados poderão dizer estão apenas respondendo no mesmo tom, o que contém alguma dose de verdade, mas poderia dizer-lhes que existe algo chamado “liturgia do cargo”, como bem lembrou semana passada, este espaço, o meu colega, o jornalistas Luiz Henrique Campos.

Em resposta ao “Cocó dos ricos” insurgiu-se o vereador João Alfredo (Psol) acusando Cid Gomes de querer “legitimar as agressões ilegais” ao parque, portanto seria ele, o governador, o defensor dos endinheirados. Como o parque é um só, as denominações são armas de uso estrito na guerrilha da politicagem.

A meu ver, uma verdadeira conversa a respeito do Parque do Cocó precisa partir do princípio de que não há ninguém contra a sua demarcação. Porém, é preciso que Cid Gomes ponha todas as cartas sobre a mesa, dizendo exatamente o que quer fazer. Subterfúgios ou meias palavras. Um “mosaico de conservação”, sem estabelecer exatamente como seria, só dá margem a dúvidas.

Vista disso, fiz um post no Twitter propondo que tanto o governador quanto João Alfredo, “baixassem a bola” (nenhum deles respondeu), e iniciassem um debate adulto, em nome do interesse público, que está acima deles. Pois, sinceramente, esse diz-que-diz de comadres já encheu a paciência.

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