Plínio Bortolotti

Onde guardamos o preconceito?

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Meu artigo publicado na edição de hoje (30/1/2014) do O POVO.

 

Arte: Hélio Rôla

Arte: Hélio Rôla

Onde guardamos o preconceito?
Plínio Bortolotti

Talvez o leitor nem queira saber dos debates internos que o jornalistas – como qualquer outro profissional – mantém com seus colegas. Porém, por força do ofício, muitos deles acabam se transformando em artigos, eventualmente lidos por generosos leitores.

Semana passada, abordei uma das divergências com Fábio Campos, um dos meus constantes interlocutores no jornal, a respeito dos rolezinhos (http://goo.gl/5DrNGc). Fábio entendendo que os shoppings são “espaços democráticos”, eu tentando provar que nem tanto. Em seu artigo de sábado, o editor desta página, Luiz Henrique Campos, trata do assunto, em confronto com minha opinião (http://goo.gl/7FpfzH), mesmo sem citar meu texto .

Ele diz que, nos últimos anos, o Brasil pôs no mercado “contingente nada desprezível de pessoas vindas de setores menos privilegiados”, e que “os empresários sabem disso, e não podem, sob pena de perder para a concorrência, deixar à margem esse público”. Verdade. Mas não invalida meu argumento que os shoppings, aeroportos e outros espaços de consumo, antes exclusivos das classes A e B, ainda não absorveram de maneira adequada esse público afluente.

Uma pessoa simples, que “não saiba se comportar” dentro de um avião (cuja passagem agora pode pagar), receberá discretos olhares reprovadores – contando com a má vontade de comissários sem paciência para dar-lhe orientação. Se um rapaz negro entrar em um shopping, vestindo roupa simples, vai ganhar a atenção redobrada dos seguranças, e será recebido com aquele famoso olhar “de cima abaixo” se entrar em uma loja.

Pode-se argumentar que a discriminação não é “instituída”, não é orientada pelo shopping, pelo dono da loja ou da companhia aérea. Certo. Porém, é difícil negar o preconceito entranhado na sociedade brasileira, isto é, em todos nós, e que precisamos superar a etapa de Casa Grande e Senzala, que ainda nos agride e separa.

PS. Na coluna de domingo, no “Menu Político”, do caderno People, voltarei ao tema.

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