Plínio Bortolotti

Lula nega ter explicitado apoio a Eunício

Coluna “Política”, edição de 21/5/2014 do O POVO.

Lula nega ter explicitado apoio a Eunício

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou ter declarado apoio à candidatura do senador Eunício Oliveira, como havia afirmado o presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO). Eunício, Raupp, Renan Calheiros (presidente do Senado), José Sarney e outros políticos do PMDB reuniram-se com Lula na terça-feira. À saída do encontro, Raupp disse ao jornal Diário do Nordeste (20/5) que o ex-presidente garantira que apoiaria a candidatura de Eunício a governador do Ceará, “pela gratidão que tem ao PMDB”, por ter apoiado o governo dele.

Falando em nome do ex-presidente, José Chrispiniano, da assessoria de imprensa do Instituto Lula, disse que Lula “não confirma” as palavras do presidente do PMDB. Segundo o assessor, a decisão sobre o nome do candidato a ser apoiado é uma decisão do partido no Ceará. (O PT-CE já definiu apoio ao candidato a ser indicado pelo governador Cid Gomes, reivindicando a vaga no senado para o deputado federal José Guimarães.)

Conversei diretamente com o senador Raupp, que ratificou a declaração ao Diário do Nordeste – que ele diz ter sido a reprodução do que ouviu do ex-presidente -, nos seguintes termos: “O desejo de Lula é apoiar o candidado Eunício, mas ele disse que vai continuar conversando com o governador Cid Gomes para manter a unidade”. (A “unidade” refere-se a um possível acordo para indicar um candidato de consenso dos três principais partidos da coligação que sustentou o atual governo do Estado: Pros, PT e PMDB.)

Uma afirmativa pode ser feita sem contestação: a candidatura de Eunício tem simpatizantes no PT. Recentemente, a ex-prefeita de Fortaleza, Luzianne Lins, declarou que não apoiaria nenhum candidato indicado pelo governador Cid Gomes (Pros), nem mesmo se o escolhido fosse de seu próprio partido. Ela põe-se à disposição para ser candidata, deixando, porém, uma larga porta aberta para, junto com o seu grupo, apoiar Eunício Oliveira, à revelia da decisão partidária.

O senador Eunício Oliveira preferiu guardar distância regulamentar dos pronunciamentos: disse que não comentaria declarações sobre o assunto, que foram dadas por outra pessoa (Valdir Raupp).

HONORIS CAUSA
O ex-presidente Lula viaja hoje para Bolívia onde vai receber título de doutor honoris causa da Universidad Aquino Bolivia (Udabol). Traduzindo-se do latim, a expressão significa “por causa da honra”: a distinção é concedida a pessoas que, pelas suas virtudes, destacam-se em sua área de atuação. Para quem só dispunha de um diploma de torneiro mecânico, Lula deve ser hoje o brasileiro com mais títulos universitários do país, concedidos por instituições do mundo inteiro.

PSOL
O Psol no Ceará está rachado: a vereadora Toinha Rocha ameaça não apoiar Ailton Lopes, escolhido candidato a governador. O Psol em São Paulo partiu-se: o virtual candidato a governador, Vladimir Safatle, queixa-se dizendo que foi passado para trás. O Psol nacional está rachado, o grupo “Insurgência” ameaça lançar um candidato alternativo ao escolhido pelo partido, senador Randolfe Rodrigues (AP). O partido abriga 15 correntes em seu anterior.

Uma boutade, que historicamente serviu para irritar os trotskistas (seguidores de um dos principais líderes da Revolução Russa, Leon Trotski) e suas intermináveis disputas internas, pode ser agora aplicada ao Partido Socialismo e Liberdade. A seguinte: afirma-se que um trotskista é uma tendência, dois um partido e três um racha. O Psol está indo pelo mesmo caminho.

MEDO VAI, MEDO VEM
Na eleição de 2002 tornou-se polêmico vídeo da atriz Regina Duarte apoiando a candidatura de José Serra (PSDB) à presidência, dizendo que tinha “medo” do adversário dele: Lula (PT). Hoje, Aécio Neves, do PSDB, queixa-se dizendo que o PT usa a estratégia do medo para atacá-lo. Os argumentos que o PSDB aplica hoje para investir contra a propaganda do PT são os mesmos que o PT usava para confrontar o vídeo do PSDB. O fato é que campanha política, hoje ou ontem, lida mais com emoções do que com a racionalidade.

OI CONTA
Depois da nota publicada na coluna de ontem, recebi mais uma queixa contra a Oi. Um cliente diz ter contratado uma conta mensal, com valor fixo. Afirma que, das dez faturas que já recebeu, nove tinham com cobranças indevidas. A cada desacerto, precisa ligar para a operadora e “passar horas” ao telefone até que a fatura seja ajustada. O cliente diz que espera os 12 meses, da tal “fidelidade”, para saltar fora da armadilha.

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