Plínio Bortolotti

A Copa das eleições

Reprodução da coluna “Menu Político”, publicado no caderno People, edição de 6/7/2014 do O POVO.

Guabiras - Menu PolíticoA Copa das eleições
Plínio Bortolotti

Depois dos artigos sobre futebol (e política) que publiquei nos cinco domingos do mês de junho, retorno aos temas mais tradicionais da coluna. O Mundial se aproxima do fim, e se entrará direto em uma eleição, com batalhas mais renhidas que as futebolísticas – e tendo-se pelo meio a reunião do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que se realizará este mês em Fortaleza, com a presença dos chefes de Estados desses países.

Nessa altura do campeonato, torcedores podem estar tristes ou alegres, dependendo se o Brasil passou ou não para a semifinal, o que desconheço no momento, pois entreguei a coluna antes da data do jogo. De qualquer modo, gostei muito de escrever sobre o contexto do futebol, aprendi muitas coisas nas pesquisas que fiz, o que me ajudou compreender melhor porque o futebol é o “esporte do povo”.

Eleição do 1/3
Pesquisa para presidente do Instituto Datafolha, divulgada no início deste mês, mostra a presidente Dilma Rousseff empatada com a soma dos votos dos candidatos de oposição. Dilma tem 34% contra 19% de Aécio Neves (PSDB), 7% de Eduardo Campos (PSB) e 8% de todos os demais candidatos, o que totaliza 34% de votos oposicionistas.

A pesquisa confirma o que vem ocorrendo tradicionalmente no primeiro turno nas eleições presidenciais: grosso modo, o PT sai com 1/3 do eleitorado, outro terço vota na oposição e a disputa se dá em torno do um terço dos votantes que podem pender para um lado e para outro. Por isso, os candidatos dão tanta importância ao tempo televiso e são capazes de vender a alma e o programa do partido pelo apoio de uma sigla qualquer que lhes dê alguns segundinhos a mais na propaganda eleitoral “gratuita” de televisão. Lembrando que este ano a influência da internet será bem maior do que na eleição passada. E esse veículo pode ser usado sem as amarras das propagandas da TV, rádio ou impressas.

Quem vai decidir?
Segundo Renato Meirelles, presidente do Instituto Data Popular, a decisão está nas mãos da chamada “nova classe média” (entrevista à revista Negócios da Comunicação, edição nº 73). Pesquisas mostram que 53% da população faz parte hoje da classe C, os “batalhadores brasileiros”, com renda familiar entre R$ 1.000, e R$ 4.000. Juntando-se as classe D e E, o contingente sobre para 78%, ou seja, oito em cada dez eleitores estão nas classes C, D e E.

Apesar do grande contingente que ascendeu para a classe C nos governos do PT – estima-se esse número em 30 milhões de pessoas – esses votos não irão automaticamente para a candidata petista, segundo análise de Meirelles. Para ele, o debate da eleição será pautado pelo futuro, e não pelo legado, seja de Lula/Dilma ou de Fernando Henrique Cardoso.

Meirelles diz que o eleitor fará a seguinte avaliação: “Ok, a minha vida melhorou, mas e agora?” Sem falar insatisfação difusa, sem uma causa conhecida ou única, que explodiu nas manifestações de junho do ano passado. Aos marqueteiros não deve ter escapado esse sentimento dos eleitores, pois todos – situação e oposição – falam em “mudança”.

Assim, avalia Meirelles, quem souber melhor se comunicar com esse setor da sociedade, convencê-lo de que poderá caminhar na direção dos seus desejos e necessidades, é que levantará a Copa das eleições.

NOTAS

Futuro e legado
De modo geral, a análise de Renato Meirelles, presidente do Instituto Data Popular, de que os “batalhadores brasileiros”, a nova classe média, decidirá quem vai assumir a Presidência da República em 2015, parece correta. Creio que ele erra apenas quando diz que a chapa de Eduardo Campos/Marina Silva (PSB) tende a crescer, pois teria mais propriedade para discutir o futuro do país e não o legado deixado por Lula/Dilma ou FHC. A meu ver, haverá a velha polarização PT versus PSDB.

Data Popular
O Data Popular é um instituto de pesquisa especializado em fazer levantamentos nas classes C, D e E. Pesquisas do instituto chegaram à conclusão que, se a classe C fosse um país, seria o 12º mais populoso do mundo e o 18º em consumo. A classe C brasileira é formada por 108 milhões de pessoas, que gastaram R$ 1,17 trilhão, movimentando 58% do crédito em 2013.

Renda de classes
Classes A e B: renda familiar mensal superior a R$ 4.591; classe C: renda familiar entre R$ 1 mil e R$ 4 mil; classe D: família tem rendimento entre R$ 768 e R$ 1.064; classe E: famílias com rendimentos abaixo de R$ 768.

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