Plínio Bortolotti

A nova velha Assembleia

Reprodução do artigo publicado na edição de 9/10/2014 do O POVO.

Hélio Rôla

A nova velha Assembleia
Plínio Bortolotti

Olhando-se de longe, houve mais de 50% de renovação dos mandatos na Assembleia Legislativa do Ceará. Dos 46 nomes que comporão a Casa, 24 serão “novos” e 22 reeleitos. Observando-se de perto, verifica-se que a maioria dos “novos” deputados são velhos políticos. A grande maioria vem de famílias que fazem da política profissão: filhos, mulheres, primos e quetais. Outros tantos, estão na pista há muito tempo, amoldados aos cacoetes da política.

Existem ainda representantes de corporações, como Capitão Wagner (PR), e os que ocupam “cadeira cativa”, como David Duran (PRB), com a Igreja Universal fazendo rodízio entre pastores para determinar o ocupante do assento.

Tome-se o exemplo de Aderlânia Noronha, do partido Solidariedade (SD), segunda maior votação entre os candidatos. Ela é mulher de Genecias Noronha, deputado federal reeleito, que já foi prefeito de Parambu, quando estava no PMDB. Genecias é agraciado com um verbete no livro Os ben$ que os políticos fazem, do jornalista Chico de Gois, que investigou dez políticos que enriqueceram durante o mandato. Quando iniciou a carreira política, no ano 2000, Genecias tinha patrimônio de R$ 98.800. Em 2010, quando o repórter avaliou sua evolução patrimonial, chegava à marca de R$ 4,6 milhões.

Eleita com quase 50 mil votos, Laís Nunes (Pros) ocupa o lugar do marido, Neto Nunes, impedido de se candidatar pela lei da Ficha Limpa, devido a ter suas contas desaprovadas quando prefeito de Icó, e condenado por deixar de executar obras com recursos da Fundação Nacional da Saúde (Funasa).

Enfim, a “renovação” da Casa é apenas na mudança de nomes. A diferença é que, eleitos Camilo ou Eunício, o novo governador deverá enfrentar mais dificuldades do que Cid Gomes, que tem uma Assembleia Legislativa às suas ordens. (Porém, o eleito sempre poderá contar com a conhecida debandada dos deputados para debaixo das confortáveis asas do governo, independentemente de quem ocupe o Palácio da Abolição.)

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