Plínio Bortolotti

Dilma: na quarta faixa e atrasada

579 1

Reprodução do artigo pulicado na edição de 10/9/2015 do O POVO.

Hélio RôlaDilma: na quarta faixa e atrasada
Plínio Bortolotti

Mais perdido que cachorro quando cai de caminhão de mudança, o governo Dilma Rousseff tornou-se uma espécie de veículo pesado, que engata a primeira, mas logo é obrigado a dar a marcha a ré – nas medidas propostas para sair do sufoco.

Da coisa certa em hora errada, tem-se agora a proposta de criação da “quarta faixa” para cobrança de imposto de renda. Isto é, certa desde que os atingidos sejam os realmente ricos, e não a já arrochada classe média que, com salários de R$ 4,664, suporta uma alíquota de 27,5% – a mesma para quem ganha R$ 120 mil ou mais. Ainda nesse quesito, cogita-se o aumento do IR sobre a distribuição de lucros, tributados no máximo em 5%, percentual bem inferior ao que pagam assalariados com rendimentos equivalentes.

E por que são proposições fora de hora? Porque deveriam ter sido implementadas no momento em que o governo tinha popularidade e um Congresso menos revoltado. A proposta de corrigir o IR, de modo a torná-lo mais justo, por exemplo, faz parte de uma campanha antiga do Sindifisco (sindicato dos auditores da Receita Federal) chamada “10 ideias para uma tributação mais justa”, o que não interessou a Dilma e, antes, nem a Lula, que nadava em popularidade.

Pelo contrário, Lula preferiu favorecer os banqueiros, que lucraram em seu governo oito vezes mais do que na era FHC. No entanto, Dilma bateu o recorde de ambos, fazendo de seu primeiro governo o mais lucrativo para a banca. (Enquanto acusava Marina Silva, sua antagonista na campanha presidencial, de ser assessorada por uma sócia do Itaú.)

A propósito, em um momento desses, o aumento de impostos não será para fazer investimento em coisas necessárias e reduzir a desigualdade no país. O governo quer mais dinheiro para produzir “superávit primário” e pagar a dívida pública. Ou seja, é jogar dinheiro em um saco sem fundo, um sacrifício que terá como único resultado a geração de mais sacrifícios.

Dilma, portanto, está na quarta faixa e atrasada.