Plínio Bortolotti

Fim do escândalo das “doações”

Reprodução do artigo publicado na edição de 24/9/2015 do O POVO.

Hélio RôlaFim do escândalo das “doações”
Plínio Bortolotti

O principal argumento daqueles a favor das doações empresariais às campanhas políticas é que a medida não acabaria com o “caixa 2”, propiciando o surgimento de um “laranjal” para doar dinheiro aos políticos por baixo dos panos. Sabe de nada, inocente (ou sabe muito), pois esse malfeito já é praticado à larga, que o digam todos eles (partidos).

Parece claro que neste país do jeitinho e da truculência, em que se passa por cima das leis fracas e por baixo das leis fortes, o fim das doações empresariais não acabará com as fraudes. Mesmo porque inexiste sistema perfeito: vale para qualquer atividade humana.

Mas, ao contrário do que dizem os críticos da sentença do STF em proibir o financiamento privado, a tendência é reduzirem-se as doações “por fora”.

Retirar o dinheiro das empresas das campanhas diminuirá a escandalosa interferência do poder econômico sobre o poder político. De modo geral, é eleito quem gasta mais; e gasta mais quem consegue mais dinheiro com os grandes conglomerados econômicos, que depois cobram a conta: e isso sai muito caro ao país, como está mostrando a Lava Jato.

O fim do financiamento pelas empresas terá ainda pelos menos outras duas consequências positivas:

1) vai reduzir o obsceno custo das eleições, portanto, será mais fácil observar se há sinais de exuberância nos gastos nas campanhas.

2) obrigará os partidos a correram atrás do dinheiro das pessoas físicas, tendo de convencê-las de que vale a pena investir nesse ou naquele programa partidário. Assim, é provável que as campanhas se tornem mais politizadas. Isto é, o eleitor – do mesmo modo daquele que contribui para uma Igreja ou para um clube de futebol – tenderá a cobrar resultados do político ou partido no qual investiu os seus recursos.

Se o caro leitor não se convenceu, tenho um argumento definitivo: a medida que proibiu o financiamento empresarial é tão boa que até o ministro Gilmar Mendes ficou contra ela.

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