Plínio Bortolotti

Trava-língua em Brasília

Reprodução do artigo publicado na edição de 15/10/2015 do O POVO.

Hélio RôlaTrava-língua em Brasília
Plínio Bortolotti

Aposto que grande parte das pessoas, talvez a maioria, mesmo as “bem informadas” – aquelas que costumam ler jornais, revistas e ouvir e assistir aos noticiários -, ficam confusas com a avalancha de informações provenientes de Brasília. Da capital, partem diariamente salvas de todo tipo de artilharia, que atingem, principalmente, a quem menos tem a ver com a guerra: o cidadão contribuinte.

E você conseguiria explicar para o seu filho o que é “pedalada fiscal” e “crime continuado”, alegados motivos para pedir o “impeachment” da presidente Dilma Rousseff? E sabe como seria o “rito de tramitação” do pedido de impedimento que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, queria implementar, sendo barrado pelo Supremo Tribunal Federal?

A propósito, você sabe, exatamente, qual foi a deliberação que ministros do STF tomaram em “decisão provisória”, atendendo a “mandado de segurança”, que foi “impetrado” por deputados que fazem parte da “base aliada” do governo? E sabia que essas medidas têm “caráter liminar” e, por isso, podem ser confirmadas ou derrubadas pelo “plenário do Supremo”?

E quanto a Cunha, também sob risco de perder o cargo e o mandato, o que pode complicá-lo, todos sabem, é a existência de uma “offshore” usada para movimentar suas contas na Suíça. Como contas “offshore”, abertas em “paraísos fiscais”, sempre parecem suspeitas, entrou-se com uma “representação” na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, pedindo que o deputado seja investigado por “quebra de decoro parlamentar”.

Mas, caro leitor, não se aborreça nem se sinta ignorante por não entender a novilíngua falada em um sítio chamado Praça dos Três Poderes – e reproduzida aleatoriamente pelos meios de comunicação. Essa linguajada, que serve para confundir, nunca para explicar, foi criada em um planeta muito distante, habitado por seres extravagantes, desconectados do mundo real, que usam o Brasil como laboratório das mais bizarras experiências.

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