Plínio Bortolotti

O sal e os impostos

Reprodução do artigo publicado na edição de 31/12/2015.

O sal e os impostos
Plínio Bortolotti

Fim de ano é tempo de balanço, de reconhecer erros. E o governo vem admitindo alguns, um pouco tardiamente é verdade, pois os males já foram desfechados. Talvez sirva para corrigir a rota: o problema é que o caminho parece muito estreito, perigoso e de poucas opções, fora do figurino ortodoxo.

O ministro da Casa Civil, Jacques Vagner, referiu-se a um desses erros, a “desoneração exagerada”. Traduzindo o economês, “desoneração” significa isenção de impostos. E, no caso, os grandes beneficiados foram a indústria e o agronegócio. O favorecimento chegou a 6,2% do PIB no governo Dilma Rousseff. Só para comparar: o Bolsa Família representa meio por cento do Produto Interno Bruto; a diferença é que da “desoneração” pouca gente se queixa.

A isenção de impostos pode ser uma aceitável política de governo, desde que o beneficiado dê alguma coisa em troca ou haja uma “elasticidade” no mercado, ou seja a possibilidade de aumento da produção. Mas como ensinou o economista Alexandre Cialdini, em recente participação no programa Debates do Povo, na rádio O POVO/CBN: “Ninguém come mais sal quando o imposto baixa”.

Um dos setores beneficiados com a redução de impostos foi a indústria automobilística: a produção aumentou significativamente?, mais empregos foram criados?

Outro “erro” – esse mais difícil de ser assumido publicamente – foi ter permitido, por desídia ou má-fé, que negócios subterrâneos prosperassem nas barbas e sob os pés do governo, levando ao chamado “mensalão” – e depois ao terremoto da operação Lava Jato (que está atingindo outras casas, além das petistas).

Pode-se se dizer que a presidente não participou desses malfeitos, no entanto, custou-lhe o título de “gerentona”, como gostavam de chamá-la alguns jornais, antes que a relação desandasse.

Vejamos se o reconhecimento de erros é apenas uma “mea culpa” para renovar as promessas de início de ano ou um passo em direção ao reparo. E mesmo aqui o negócio é complicado: qual direção seguir?

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