Plínio Bortolotti

Venezuela entenderá o recado brasileiro?

Reprodução do artigo publicado na edição de 7/1/2015 do O POVO.

Hélio RôlaVenezuela entenderá o recado brasileiro?
Plínio Bortolotti

Tanto fez Nicolás Maduro que até o Brasil – tradicional aliado da Venezuela “bolivariana” – expediu uma dura nota instando o governo do país vizinho a respeitar o resultado eleitoral.

“Não há lugar, na América do Sul do século XXI, para soluções políticas fora da institucionalidade e do mais absoluto respeito à democracia e ao Estado de Direito” foi o torpedo enviado pelo Itamaraty ao governo venezuelano, com a óbvia aprovação do Palácio do Planalto. A chapa esquentou: vamos ver agora qual será a atitude de Maduro.

Talvez o que tenha impulsionado a presidente Dilma Rousseff a mandar o recado para Maduro tenha sido o fato de ela enfrentar, no Brasil, uma oposição que também não se conforma com a derrota nas urnas e vem buscando atalhos para apeá-la do poder.

Em favor da oposição brasileira, pode-se dizer que ela age nos limites da institucionalidade, mesmo se for considerado que, para atingir a sua meta, o PSDB se alie a gente da qualidade do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que não tem o mínimo de escrúpulo político e guarda respeito zero pela democracia e pelas leis.

Pelo menos formalmente, Maduro também está apelando para a lei na tentativa de melar a vitória dos oposicionistas, apesar de se acusar a Justiça venezuelana de ser uma “Corte bolivariana”. Por essa via, ele vem tentando impedir a posse de três deputados da Mesa da Unidade Democrática (MUD), o que derrubaria a “supermaioria” de 2/3 que a oposição conseguiu no Parlamento, garantindo o direito de mudar a Constituição e de demitir altos funcionários do governo.

Por aqui, o PSDB chegou a questionar o resultado das eleições no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pondo em dúvida o sistema de urnas eletrônicas.

Observa-se que direita e esquerda acabam por se valer dos mesmos mecanismos para permanecer ou chegar ao poder. Na coluna “Menu Político”, no caderno “People” de domingo (10/1/2016), comento um pouco mais sobre esse comportamento que aproxima os opostos do espectro político.

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