Plínio Bortolotti

Inauguração de obras: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”

Reprodução do artigo publicado na edição de 14/1/2016 do O POVO.

Hélio RôlaSe foi pra desfazer, por que é que fez?
Plínio Bortolotti

Na edição de ontem deste jornal duas notícias chamam atenção – antípodas, porém complementares – para exemplificar o modus operandi da política.

Uma dessas matérias, “Presídios – Novos aparelhos dispensam revista íntima”, informa que o governador Camilo Santana (PT) entregou novos equipamentos de segurança para o sistema prisional, incluindo aparelhos para acabar com a constrangedora “revista íntima”.

A foto publicada denota um cerimonioso ato de entrega, que mobilizou o estafe governamental. Cercado de “autoridades”, observa-se o governador e o secretário da Justiça, Hélio Leitão (PCdoB) empertigados e o deputado federal Chico Lopes (PCdoB) com a mão direita cruzada sobre o peito, aquele modo de ouvir o hino nacional que se ensinava às crianças das antigas. Em primeiro plano, os equipamentos destinados aos presídios.

Corta para a outra matéria: “Praia do Futuro – Praça inaugurada em julho já apresenta problemas”, mostrando o abandono em que se encontra a obra entregue à população há menos de seis meses, ao custo de R$ 5,8 milhões. Quadras deterioradas e sem redes, lixeiras corroídas pela ferrugem, cercas arrebentadas e banheiros sujos e trancados.

A praça é responsabilidade da prefeitura, mas quero dizer o seguinte: políticos, aqui e alhures, adoram inaugurações para fazer propaganda. Costumam cortar fitas mesmo de obras inconclusas, mas, depois da festa, esquecem (completamente) a manutenção.

Basta dar uma volta pela cidade (qualquer cidade do país) e observar o festival de inaugurações e, depois, o abandono a que são relegados esses equipamentos, que custaram dinheiro ao cidadão contribuinte. Poderia dar dezenas, talvez centenas, de exemplos pelo Ceará.

Então, se era para deixar abandonada, por que se fez a obra?

PS. É louvável a compra de aparelhos para evitar a revista íntima, por demais humilhante para as mulheres que visitam presos. Porém, faço uma sugestão ao colegas da editoria de Cotidiano: verificar se daqui a um ano o equipamento estará funcionando.

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