Plínio Bortolotti

O PSDB e o balanço do navio

Reprodução do artigo publicado na edição de 21/1/2016 do O POVO.

O PSDB e o balanço do navio
Plínio Bortolotti

Hélio Rôla.1Primeiro, foi o senador Tasso Jereissati (PSDB), cuja voz se faz ouvir para além do Ceará. Em entrevista ao O POVO (18/1/2016), ele faz uma espécie de autocrítica pelo apoio oferecido ao presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) e manifesta-se contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), considerando-o “improvável”, e afirma que “não votaria em nada” que pudesse “ferir as instituições”.

Quanto a Eduardo Cunha e à forma de fazer oposição, é difícil entender por que os tucanos demoraram tanto para ver que faziam a coisa errada. Em 15/12/2015 escrevi no Twitter: “Não sei quem é o conselheiro político do PSDB, porém um inimigo não faria melhor: fizeram oposição tacanha e restou-lhes pegar carona de Cunha”.

Tasso diz o seguinte: “Em algumas votações, a meu ver, equivocadamente, (o PSDB) votou errado. Não necessariamente porque estava unido ao Eduardo Cunha, mas porque estava achando que aquilo era fazer oposição. Ser contra o governo era fazer oposição. Em determinadas situações, nem sempre isso é verdade.” Seguindo: “Houve uma união com o Eduardo Cunha em determinadas votações pelas circunstâncias, e algumas delas equivocadas”.

Depois, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também aderiu à tese da improbabilidade do impeachment, adicionando mais um cutucão em Cunha: “Francamente, temos visto que o impeachment encaminhado pelas mãos do presidente da Câmara ficou um pouco difícil. [Já que] Ele próprio vai ser impichado”, conforme publicou a edição de ontem deste jornal.

Ou seja, expressivos líderes do PSDB estão desembarcando da tese do impeachment. Assim, se o renitente senador tucano Aécio Neves demorar a acompanhar os seus correligionários mais velhos (e mais experientes), talvez tenha de se valer do bote salva-vidas para pular fora do navio, que está adernando.

PS. Isso não muda a difícil conjuntura enfrentada pela presidente Dilma. A base de apoio claudicante no Congresso e a má fase da economia a farão seguir governando ao estilo “pato manco”.

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