Plínio Bortolotti

Existe saída?

Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião, O POVO, edição de 16/6/2016.

Hélio RôlaExiste saída?

Logo após a Comissão de Ética ter aprovado o parecer pela cassação de Eduardo Cunha, presidente afastado da Câmara dos Deputados, escrevi no Twitter: “O que será que Temer estará pensando agora?”

Talvez um sentimento ambíguo tome conta do presidente em exercício. Cunha era o pau pra toda obra de Michel Temer: “As tarefas difíceis eu entrego à fé de Cunha”. Mas o amigo tornou-se inconveniente, e será preciso afastá-lo.

A operação começou pela Comissão de Ética. E Cunha deve ter-se perguntado o que concorreu para a sua desgraça. Pouco antes da votação ele dizia ter certeza de que seria absolvido. Se aconteceu o contrário, é porque alguém deixou de entregar o que havia lhe prometido. Seria o amigo a quem ele serviu com tanto zelo?

Cunha não é do tipo que deixa as coisas por isso mesmo: a presidente afastada Dilma Rousseff sentiu o peso de sua mão, assim que ele se viu abandonado pelo PT na Comissão de Ética. Quem garante que agora não usará sua artilharia para vingar-se dos amigos que o deixaram na intempérie?

Houvesse escrito este artigo para a edição de ontem, esta seria a principal preocupação do presidente em exercício, mas seus problemas aumentaram, com a divulgação da delação premiada de Sérgio Machado, tornada pública por ordem do ministro Teori Zavascki, do STF.

Segundo Machado, Michel Temer acertou com ele repasse de R$ 1,5 milhão para a campanha de Gabriel Chalita (então no PMDB), à prefeitura de São Paulo. Assim, a Lava Jato, que já atingira o seu entorno, chega diretamente ao presidente.

Ressalte-se que, na “colaboração premiada”, Machado cita como agraciados com recursos ilegais políticos dos principais partidos em atividade: PMDB, PT, PP, DEM, PSDB e PCdoB. Lembre-se ainda que Dilma também já fora citada na delação da Odebrecht, como tendo pedido pessoalmente doação de R$ 12 milhões à empresa.

Olhando-se o panorama, a pergunta: existe saída como o atual modelo político e com os políticos à disposição?

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