Plínio Bortolotti

A politização da Lava Jato

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Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião do O POVO, edição de 29/9/2016.

A politização da Lava Jato

É óbvio que o PT tem alguma (ou muita) culpa no cartório. Seria acreditar demais na teoria da conspiração se todas as provas houvessem sido forjadas unicamente para prejudicar o partido.

Porém, pode-se verificar direcionamento no elã acusatório da República de Curitiba, com delegados adeptos do PSDB e de procuradores que se acham integrantes da facção divina, por isso, proprietários da verdade. Portanto, doidos para incriminar a “bandeira vermelha” do PT.

Se nada houvesse contra os petistas, os investigadores nada encontrariam, diriam alguns. Certo. Mas, como escreveu Érico Firmo na coluna “Política” (edição de ontem): “Os fortes indícios de interferência política na Lava Jato são graves. A operação tem entre seus alvos políticos do PT, do PMDB e do PSDB e vários outros partidos. Porém, apenas figuras de proa do PT têm ido para a cadeia. É de se deixar a pulga atrás da orelha”.

Há demonstrações claras que a Lava Jato caminha para a politização extrema, sendo manobrada de acordo com as circunstâncias, que podem aumentar o prejuízo aos acusados, mesmo que isso implique tratorar a lei.

O caso mais recente foi do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que antecipou a aliados – em um evento de campanha do PSDB – informações da nova fase, que prenderia o ex-ministro Antônio Palocci.

E, vejam vocês, quem saiu em defesa do ministro foi o delegado da Polícia Federal, Igor Romário de Paula, conhecido por fazer campanha para Aécio Neves, enquanto promovia ataques de baixo nível contra Dilma Rousseff, na eleição de 2014.

Somando-se o que já fez o próprio juiz Sérgio Moro, ao divulgar conversa entre Lula e Dilma – colhida irregularmente – e também gravações pessoais da mulher do ex-presidente, e a recente atuação circense dos promotores na denúncia contra Lula, o que mais se pode esperar para tornar óbvio que a legalidade está sendo pisoteada?

Se o combate à corrupção equiparar-se a um vale-tudo para prejudicar o “inimigo”, apenas haverá a troca uma arbitrariedade por outra.

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