Plínio Bortolotti

Os “personagens” no jornalismo

O texto abaixo, com o título “Crise nas livrarias: Insistindo no erro até encontrar o fracasso” é do jornalista Haroldo Ceravolo Sereza, publicando no portal Publishnews, comentando os problemas por quais passam as grandes redes de livrarias.

Mas a abertura aproveita para criticar o vezo do trabalho jornalístico sempre em busca de um “personagem”.

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«Vamos dar uma volta antes de falar da crise das livrarias? Acho que vale a pena.

Essa história é de quando eu trabalhava n’O Estado de S. Paulo, no começo dos anos 2000. Poucos anos antes a direção do Jornal da Tarde implementou um modelo de fazer jornalístico que exigia a figura do “personagem”. No jargão jornalístico, “personagem” é uma pessoa comum que “encarna” a notícia. Por exemplo, se há um crescimento no número de pessoas que estudam japonês na cidade, o “personagem” a ser apresentado é um típico paulistano da Mooca, preferencialmente com sotaque italiano, que gosta de ler mangás originais. Ele vai explicar porque acha importante ler mangá. A notícia ideal nesse modelo não é “cresce o número de escolas de japonês” em São Paulo, mas “Antonio Carcamano está aprendendo japonês para ler mangás”. Se a inflação está crescendo por causa dos hortifrútis, a “personagem” é a dona de casa que está parando de comprar tomates por causa do preço. E por aí vai.

Parece bacana, né? Mas pense num jornal inteiro assim: fica repetitivo, superficial e, quase sempre, preconceituoso.

Bom, o fato é que a direção do Jornal da Tarde aproveitou um momento de crescimento e apostou no modelo. Os mais animados falavam em “new jornalism”, os mais burocratas gritavam aos repórteres: “Cadê a personagem?! Eu quero a personagem”. Passados alguns meses, resolveram fazer uma pesquisa sobre o que pensava o leitor. E a resposta foi bastante simples: aquela história de personagem estava enchendo o saco: os cadernos que haviam mergulhado no projeto eram os mais mal avaliados.»

Veja o texto completo.

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