Plínio Bortolotti

PT não é vítima; é sócio dos malfeitos

Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião, edição de 20/4/2017 do O POVO.

PT não é vítima; é sócio dos malfeitos

No início, a Operação Lava Jato indicava uma, digamos assim, “preferência” pelo PT. Se era tática investigativa, devido ao fato de o partido estar no poder ou viés ideológico dos agentes encarregados do processo – isso ainda está por se saber.

Sendo uma coisa ou outra, da mesma forma que a corrupção tem vida própria, a Lava Jato também a ganhou. Se havia algum propósito predeterminado antipetista, o negócio fugiu do controle de seus hipotéticos articuladores.

Os tucanos, supostamente protegidos, veem-se vê-se cada vez mais enrolados, a começar por suas figuras de proa, como Aécio Neves, José Serra e até FHC. Revela-se que os principais partidos, PT, PSDB, PMDB e toda a tranqueira de legendas de aluguel que pulula em Brasília participaram do festim diabólico que levou o país a essa situação de grave impasse.

Mesmo com a desconfiança que sempre cercou os políticos, era difícil supor que medidas provisórias, leis e decisões sobre política econômica e fiscal, tudo era negociado em um sórdido balcão de negócios.

Independentemente das divergências “ideológicas” entre partidos, todos tinham o mesmo comportamento quando era para receber a “ajuda” da Odebrecht, via “departamento da propina”.

A sentença constitucional “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos… ” foi substituída por “todo poder emana da Odebrecht, que o exerce por meio de representantes pagos pela empresa”. Fomos feitos de tolos.

O caso do PT é mais grave, pois foi eleito – e prometia – mudar esse estado de coisas. Ainda que o partido não seja responsável por tudo que o acusam, a sobra já seria suficientes para pô-lo no mesmo balaio dos demais. E é implausível que seus principais líderes, incluindo Lula e Dilma, pelo menos não soubessem o que se passava.

Portanto, se o partido ainda quer algum crédito, tem de parar de se fazer de vítima, reconhecer os graves erros que cometeu, pedir desculpas e tentar seguir em frente, resgatando suas propostas fundantes.

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