Plínio Bortolotti

Sobre reformas e modernização

18 1

Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião, edição do dia 10/8/2017 do O POVO. //////

Sobre reformas e modernização///////

Vamos admitir que, de fato, algumas reformas são necessárias, incluindo a trabalhista e a previdenciária. (Porém, não do jeito que o governo pretende, na qual a única opção dos mais vulneráveis é escolher se quer ir à forca ou ao paredão de fuzilamento.)

Mas, para efeito de argumentação, vamos concordar que as mudanças são necessárias “precisa e exatamente” da forma apresentada por Michel Temer e seus áulicos mais exaltados. Em assim sendo, seria preciso convencer as pessoas que o sacrifício é necessário “pelo bem do país”, como dizem aqueles deputados cevados nas emendas. Porém, para fazer isso, seria necessário dar o exemplo, começando pelos privilegiados, pois, como se diz por aí, “o exemplo vem de cima”.

Então vejamos.

As minhas últimas duas colunas “Menu Político”, publicadas no caderno “People”, foram as seguintes: “Super-ricos pagam pouco imposto e ainda sonegam” (30/7) e, na subsequente (6/8), mostrei que o Poder Judiciário Brasileiro é um dos mais caros do mundo, custando mais do que o da Suécia, Holanda, Itália, Portugal, Inglaterra e Espanha. Ver-se-á que, as carreiras judiciárias (Justiça, Ministério Público e Defensoria) concentram levas de funcionários públicos recebendo valores muito acima do teto constitucional. No próximo domingo (13/8) o tema será o orçamento do Legislativo: “Câmara e Senado Federal vão gastar R$ 10 bilhões este ano”.

Assim sendo, a “modernização” deveria começar atacando a injustiça tributária, reduzindo despesas da Câmara e do Senado e dobrando essa casta de funcionários públicos aos ditames da lei. Os países mais modernos do mundo já fizeram essa “lição de casa”.

Feito isso, os políticos poderiam aparecer em público jactando-se de “cortar na própria carne” e propondo que seus liderados aceitassem também pagar uma parte da conta da conta. Me parece que assim seria mais fácil engolir o antibiótico para combater as infecções da crise.

(E não vou nem falar de uma auditoria da dívida pública. A medida revelaria ser a dívida a maior ladra do seu, do meu, do nosso dinheiro.)