Plínio Bortolotti

Soldados do mau agouro

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Reprodução de artigo publicado na editoria de Opinião, edição de 14/12/2017 do O POVO.

Soldados do mau agouro

Ainda existem algumas almas penadas vagando por aí com saudades da ditadura militar. Uma delas, o general Antonio Hamilton Mourão, foi destituído do cargo de secretário de Economia e Finanças do Comando do Exército, depois de ter afirmado que o presidente Michel Temer faz do governo um “balcão de negócios” para se manter no poder.

Verdade, mas não pode um soldado (mesmo no posto de general) desrespeitar seu comandante-em-chefe, logo o poder civil, a quem o Exército está subordinado. Mourão é reincidente, já fizera críticas à então presidente Dilma Rousseff (quando perdeu o comando militar Sul) e, já no governo Temer, defendera um (mais um) golpe militar.

Aqui, pelo Ceará, quem desvaria exaltando a ditadura é Affonso Taboza, coronel engenheiro reformado do Exército Brasileiro, como assina nos artigos para este jornal. Em texto recente (11/12/2017), ele volta à ladainha de elogios à ditadura – e apresenta Jair Bolsonaro como o candidato a presidente capaz de “salvar” o país.

Taboza saúda a suposta guinada de Bolsonaro ao “liberalismo”, louvando o encontro dele com o economista Paulo Guedes. A conversa entre os dois, “olho no olho”, foi descrita por Taboza como “namoro promissor”, abençoado pelo “mercado e pelo empresariado”.

O coronel engenheiro conclui o texto apelando ao “povo brasileiro” para eleger um governante que tire o Brasil do “marasmo socialista (sic)” para entrar “na era da ordem e do progresso: liberalismo na economia, conservadorismo nos costumes”.

Affonso Taboza pensa que é conservador; mas, no máximo, seu pensamento é uma “metástase” do conservadorismo (como diria João Pereira Coutinho). Ele é mesmo reacionário, apoiando um candidato defensor da tortura, misógino, racista e homofóbico. Bolsonaro, capitão de artilharia, já declarou que, caso fosse presidente, fecharia o congresso e mataria “30 mil, começando por FHC”.

Assim, sugiro um grito de guerra para a campanha dele: “Treva!”

PS: Bolsonaro propõe matar Fernando Henrique (na época ocupando a Presidência da República); Capitão Bolsonaro, a história esquecida.

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