Plínio Bortolotti

A ironia que virou bandeira da ordem e progresso

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Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião, edição de 21/12/2017 do O POVO.

A ironia que virou bandeira da ordem e progresso

Na semana passada, no artigo “Soldados do mau agouro” (14/2017) critiquei texto “A ordem se encontrou com o progresso” (11/12) de Affonso Taboza, na qual o “coronel reformado do Exército Brasileiro” elogiava Jair Bolsonaro e a ditadura militar, como de costume. Pois ele replicou na edição de ontem com “Intolerância bolivariana”, aliás, variante barateada de “comunista”, acusação que os ditadores de 1964 usaram para prender, torturar e matar.

Taboza melindrou-se por ter recebido crítica. Classificou-se como “aguerrido articulista”, mas não ousou dizer meu nome. A sua lamúria deu-se pelo fato de ter sido confrontando por um “jornalista da casa”, o que ele não esperava, por escrever “na página de opinião de um jornal plural”. A resposta ao seu sobressalto está contida na própria queixa, pois quem escreve em um jornal plural, como de fato este periódico o é, não pode escolher quem vai criticá-lo ou elogiá-lo: O POVO não é quartel.

O coronel também me acusa de ter copiado e colado “acusações levianas feitas pela petezada ao pré-candidato”. O que escrevi foi que Bolsonaro era (é) “misógino, racista e homofóbico”, mas não é a “petezada” que diz isso, é o próprio “pré-candidato” da preferência de Taboza, basta uma ligeira busca na internet para verificar esse fato.

Agora, quem copiou e colou foi Taboza. O título “A ordem se encontrou com o progresso” é originalmente de um post do blog “O Antagonista”, no qual é comentado o encontro de Bolsonaro com o economista Paulo Guedes, o autor da frase aspeada utilizada por Taboza – sem dar o devido crédito. Apenas um detalhe escapou ao coronel: segundo “O Antagonista”, Guedes a pronunciou “ironicamente”, mas Taboza a tomou pelo valor de face, o que por si só explica a sua confusão mental.

O incansável Taboza ainda arranja tempo para me chamar de “obtuso e mal educado”, classificando-me de “jovem” de “cabeça oca”, demonstrando certo senso de humor, raro em militares, o que aprecio.

Uma correção: infelizmente não sou mais “jovem”, pela idade cronológica, porém a mente continua esperta.

PS. A propósito Taboza disse que ao criticá-lo apelei para um autor do meu “gosto”. O autor é João Pereira Coutinho, jornalista e escritor português, teórico do conservadorismo.

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