Plínio Bortolotti

Lula sofreu impeachment “preventivo”, diz professor

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Troco sempre ideias com um leitor, cearense que mora no Rio de Janeiro, devido aos comentários que ele faz aos meus artigos. Pensamos de forma inversa na maioria dos assuntos, mas conversamos de forma civilizada, o que é uma vitória sem par nos dias que correm.

Ao comentário que ele fez a respeito de meu texto de 6/4/2018 neste blogue (“Prisão de Lula – É preciso rejeitar pronunciamentos de força e golpes ‘legais’”), no qual ele justifica a prisão do ex-presidente, respondi: “Não acho que Lula seja isento de culpa, como também é inegável que ele foi tratado de modo ‘especial’, por juízes e procuradores”.

Expliquei em texto anteriores por que passei a chamar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff de “golpe”, pois ela foi afastada… por que mesmo? Alguém se recorda? Seria até interessante se algum instituto de pesquisa se dispusesse a fazer a seguinte pergunta aos brasileiros: “Você se lembra o motivo do afastamento da presidente Dilma Rousseff?” Sou capaz de apostar que a maioria não se lembrará das tais “pedaladas”. E, quem se recordar, duvido que saberá explicar o que seriam “pedaladas fiscais”.

Logo em seguida, leio no jornal Folha de S. Paulo (9/4/2018) entrevista com Renato Lessa, professor de filosofia política da PUC do Rio e investigador associado do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Para ele, a prisão de Lula “é um processo que se completa” para afastar os grupos de esquerda do poder. O professor lembra que o mesmo sempre sucede com governos de extração, popular como o de Getúlio Vargas e João Goulart. Assim, “o que se produziu nos últimos dois ou três anos [com relação a Dilma e Lula] foi um processo de neutralização de um segmento importante da política brasileira, a esquerda”.

Segundo Lessa, foram dois impeachments, um contra Dilma e outro “preventivo” contra Lula”.

Sem afastar nenhum tipo de responsabilidade do PT sobre a corrupção que se abateu sobre seus governos, a pergunta que fica é a seguinte: haveria a mesma sanha persecutória, devido aos desvios, se os grupos tradicionais, representantes da elite brasileira (com PSDB e tudo) estivessem no poder?

Para ler a entrevista do professor Lessa na íntegra, clique aqui.

PS. Pelos comentários deixando nos artigos recentes que escrevi sobre o assunto, já estou esperando o destampatório daqueles que leem um coisa e entendem outra. 😉

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