Plínio Bortolotti

Os extremistas

Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião, O POVO, edição de 27/9/2018.

Os extremistas

Sou leitor do professor André Haguette, meu colega destas páginas de Opinião, e sempre aprendo alguma coisa em seus textos, mesmo quando discordo. Nunca fui seu aluno, mas sou capaz apostar que ele é um educador em toda a extensão da palavra, pelo que observei em nossas várias conversas no programa Debates do Povo (rádio O POVO/CBN).

Feita a introdução – necessária nesses tempos de cólera, para informar aos incautos que vou divergir do professor, e não brigar com ele – vamos ao sucedido.

Depois de fazer uma boa contextualização da conjuntura política, dos erros, dos desmandos e da corrupção disseminada entre os partidos, Haguette finaliza seu artigo “Dias sombrios” (24/9/2018) da seguinte maneira: “Somando a isso tudo, uma cultura política messiânica generalizada num eleitorado voltado para interesses individuais, familísticos e corporativos, não surpreende essa onda de terror eleitoral, esse choque de classe e os extremismos da direita (Bolsonaro) e do PT”.

Observa-se a criação de uma “narrativa” (para usar a palavra da moda) tentando equiparar o perigo fascistizante do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, a um suposto “extremismo” do PT, como se as duas coisas fossem equivalentes, com sinais trocados – uma falácia evidente. Isso pode ser visto claramente na campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), em sua tentativa desesperada de angariar votos anti-PT, cujo depositário, até agora, é o “capitão reformado”. A mesma lógica está na “Carta aos eleitores e eleitoras” de Fernando Henrique Cardoso e também no artigo do professor Haguette

No entanto, primeiro: praticamente todos os eleitores votam por “interesses individuais”, os super-ricos e banqueiros para continuarem se locupletando; os pobres para, pelo menos, continuarem a sobreviver. E vamos combinar: a razão do Bolsa Família, por exemplo, está acima dos privilégios da elite.

Ainda mais, qualquer sociólogo, e Haguette é um deles, há de perceber que, longe de ser uma sigla “extremista”, o PT é um partido social-democrata, como era o PSDB, em sua gênese. Poderiam os dois partidos fazer par, não fosse a repulsa que desenvolveram mutuamente, talvez, justamente, por serem parecidos, apesar da origem de classe diferenciada.

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