Plínio Bortolotti

Bolsa Família com 13º é bom; mas ficar sem reajuste é ruim

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Alguns ouvintes me cobraram, na sexta-feira (12/4/2019), depois de haver terminado o comentário que faço no programa Revista O POVO (Maísa Vasconcelos), que eu falasse sobre a concessão da 13ª parcela aos beneficiários do programa Bolsa Família, confirmada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. Suponho que, alguns, queriam ouvir de mim concordância com a medida do governo Bolsonaro ;). Na ocasião, o tempo da minha intervenção já havia sido atingido. Portanto, aqui vai a minha resposta:

– Sim. Concordo que se pague um 13º para o Bolsa Família.

Agora, vamos aos fatos.

1. Este ano será pago um 13º do Bolsa Família, no entanto o benefício ficará sem reajuste (lembrando que o última aumento, em 2018, não cobriu a inflação do período).

2. Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a adição de mais um salário representa ganho – descontada a inflação – de 3,58% na renda das famílias.

3. Bolsonaro prometeu pagar o 13ª durante os quatros anos de seu mandato. No entanto, se ele conceder a parcela extra, sem aumento no valor do benefício – ou distanciar mais o período dos reajustes – , as perdas serão inevitáveis, alertam especialistas.

4. No decorrer de sua existência, houve períodos em que os reajustes cobriam ou ultrapassavam a inflação (ganho real) e outros em que havia defasagem.

5. Atualmente, o valor médio do Bolsa Família é de R$ 187,70 (reajustado em 2018), mas deveria ser em torno de R$ 200, se houvesse acompanhado a inflação.

6. O dinheiro para cobrir o 13º virá do “pente-fino” no INSS para combater fraudes. Além disso, as 17 milhões de famílias beneficiárias do Bolsa Família (2015) foram foi reduzidas 13,9 milhões atualmente, com a retirada de pessoas que supostamente recebiam do programa indevidamente*. Por óbvio, ninguém é a favor de fraudes, mas por que o tal do “pente-fino” só é usado em benefícios para os pobres. Por que ninguém usa o mesmo equipamento para dar uma boa verificada na dívida pública que custa aos cofres públicos R$ 3,7 trilhões?

(E, a propósito, nesses dias o governo renovou um convênio reduzindo o ICMS em R$ 40 bilhões para beneficiar agricultores. O acordo existia há 22 anos e terminaria este ano, caso não fosse renovado, o que foi feito nas carreiras. Ganham os ruralistas, perdem os estados – o imposto é estadual – e, por consequência, a população.)

* * * * * *
Nexo Jornal: Trajetória dos reajustes do Bolsa Família.
Uol: 13º é bom, mas ficar sem aumento é ruim.

(*Frase acrescentada às 14h51, de 15/5/2019.)

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