Plínio Bortolotti

Brasil, país em racismo

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Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião, edição de 5/9/2019 do O POVO.

Brasil, país em racismo

Adolescente é despido, amordaçado e chicoteado por furtar chocolate. Em cárcere privado, a vítima de 17 anos passou por uma sessão de tortura. O adolescente recebeu chicotada nas costas e se contorcia de dor a cada golpe recebido. O caso aconteceu em um supermercado da rede Ricoy, em São Paulo. (Folha de S. Paulo, 3/9/2019)

A garçonete Silvana Bueno, 48 anos, foi seguida por seguranças após sair do supermercado Walmart, em Campinas (SP). Levada a uma sala da administração, ela foi revistada por um policial e, em seguida, teve que comprovar que havia pago por todos os itens, os quais foram comparados com a nota fiscal. (Geledés, 3/3/2019)

Cerca de 50 pessoas protestaram em frente ao hipermercado Extra, na avenida Aguanambi, em Fortaleza. O ato foi em repúdio à morte de Pedro Gonzaga, de 19 anos, em uma filial da empresa no Rio de Janeiro. Um segurança aplicou um golpe chamado “mata-leão” no jovem, que morreu sufocado. (O POVO, 17/2/2019)

Coube ao pai de um jovem preso injustamente por suspeita do assassinato provar sua inocência, no Rio. Depois de uma semana preso, o DJ Leonardo Nascimento, 27, foi solto, após a Polícia Civil voltar atrás na acusação. (Folha de S. Paulo, 24/1/2019)

(Para fechar o círculo.) Ao sair de mercado, mulher foi perseguida e teve a bolsa revistada. “Quando eles falaram ‘vamos ali conversar’ tive medo de ser estuprada ou morta”. O caso aconteceu no mesmo supermercado Ricoy, onde o jovem, citado no primeiro parágrafo foi chicoteado. (R7, 3/9/2019)

Depois de mais uma atrocidade, a descrição que deu início a este artigo, resolvi pesquisar na internet e, rapidamente, levantei esses outros casos, acontecimentos somente neste ano.

Há um ponto em comum entre os que sofreram essas barbaridades. Todos são negros, portanto, vítimas acidentais desse Brasil sem racismo.

PS. Experimente pesquisar palavras-chaves como “jovem negro preso”; “negros, prisão por engano” para observar como o preconceito, a discriminação e o racismo fazem parte do cotidiano da população negra.

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