Plínio Bortolotti

Ataque ao PSL: Major Olímpio não entende Bolsonaro; eu explico

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Com a sensibilidade de um hipopótamo em uma loja de louças, o presidente Jair Bolsonaro abriu uma guerra com o seu partido, o PSL. Na manhã desta quarta-feira (8/10/2019), na saída do Palácio do Alvorada, foi abordado por um rapaz, candidato a político em Pernambuco, que pediu para gravar um vídeo com ele. Câmera do celular ligado, ele grita, abraçado a Bolsonaro: “Eu, Bolsonaro e Bivar, juntos por um novo Recife”. O presidente demonstra contrariedade e pede: “Cara, não divulga isso não, pô. O cara (Bivar, presidente do PSL) está queimado pra caramba lá. Vai queimar o meu filme também. Esquece esse cara, esquece o partido”.

Lembrando que Bolsonaro filiou-se ao PSL em março do ano passado para ter uma legenda para concorrer à Presidência. Luciano Bivar, a pedido de Bolsonaro, afastou na presidência do partido, lugar assumido por Gustavo Bebianno no período eleitoral, cargo depois retomado por Bivar. O próprio Bebianno, nomeado secretário-geral da Presidência quando Bolsonaro foi eleito, foi defenestrado do governo.

Na verdade, o PSL foi apenas um partido de aluguel para suportar a candidatura de Bolsonaro, que inchou devido à ascensão meteórica do “capitão” durante a disputa eleitoral do ano passado. O partido tornou-se um amontoado de interesses díspares sob o controle de Bolsonaro.

Um setor do PSL revoltou-se com o ataque de Bolsonaro ao presidente do partido e organizou um manifesto em defesa de Luciano Bivar, conforme informou o “Painel” da Folha de S. Paulo. No texto do manifesto que começou a circular, os signatários lembram a importância da sigla em 2018 e incentivam Bivar a redistribuir cargos de comando do partido nos municípios, o que poderia desfazer arranjos de Bolsonaro em várias cidades, incluindo Rio e São Paulo, locais de influência dos filhos do presidente.

Um dos defensores do manifesto, o deputado Júnior Bozella (SP), disse que o PSL não poder tornar-se um “PT de direita” que, na visão dele, esconde os erros da sigla. Ele chegou a dizer que os dois casos “mais ruidosos” foram poupado das críticas do presidente: o que envole Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro, e o “laranjal” de Minas Gerais, que implica o ministro do Turismo, álvaro Antônio.

Mozela foi no fígado: “Temos o caso do Queiroz e o do ministro do Turismo, e o presidente tenta encobrir esses dois assuntos ao mesmo tempo em que desfere ataques indevidos ao PSL”. Depois, como se dizia antigamente, deu um tapa com luva de pelica, afirmando que acredita no presidente e no governo, mas ressalvou: “O partido não pode deixar de advertir aqueles que vão contra as bandeiras que nos elegeram, como o combate à corrupção”.

O líder do o PSL no Senado, Major Olímpio (SP) foi surpreendido pela declaração de Bolsonaro e disse que ainda estava “tentando entender” o que aconteceu.

Olímpio, é o seguinte: se depois de tanto tempo de convivência com Bolsonaro vocês ainda não o entendem, desistam, não entenderão nunca. Mas vou desenhar para vocês: sigam as ordens, obedeçam, sejam servis e áulicos. Somente seres invertebrados se adaptam a gente do tipo Bolsonaro.

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