Plínio Bortolotti

O PSL e os bolsonaristas por eles mesmos

Se alguém imaginou que o PSL algum dia foi um partido – e não mera sigla de aluguel para abrigar as ambições de Jair Bolsonaro e sua família, deve estar perplexo, ou só fingindo surpresa, tendo em vista o histórico do presidente.

As razões pela mais recente declaração “polêmica” de Bolsonaro – atacando seu próprio partido e seu presidente – ainda não estão suficientemente claras.

Pode ser que ele queira afastar-se do laranjal de Minas Gerais; pode ser uma disputa pelos fundo partidário (mais de R$ 350 milhões em 2020) ou ainda uma briga interna pelo poder.

As características de Bolsonaro não são de um líder, que ouve, conversa, negocia, busca consensos e a pacificação. Ele age como um “chefe”, e chefe só tem subordinados, obrigados a cumprir ordens sem contestá-las – o que é um pouco difícil quando se trata de política.

De qualquer modo, vamos dar a palavra ao PSL e aos Bolsonaristas.

Jair Bolsonaro, presidente da República, pedindo que um vídeo, no qual o simpatizante, abraçado a ele, cita o nome de Luciano Bivar, presidente do PSL, seja apagado.

“Cara, não divulga isso não, pô. O cara (Bivar) tá queimado para caramba lá. Vai queimar o meu filme também. Esquece esse cara, esquece o partido.” (Bivar também está enrolado com o caso do laranjal em Pernambuco)

Delegado Waldir, líder do PSL na Câmara dos Deputados

“Como você fala do quintal alheio se o seu quintal está sujo? As candidaturas em Minas Gerais e Pernambuco estão sendo investigadas, mas o filho do presidente também. Bolsonaro não está algemado no PSL, não. Aqui não tem ninguém amarrado.” (Época)

Major Olímpio, líder do PSL no Senado.

“Só posso dizer que fiquei perplexo. Eu não sei a motivação oficial do presidente. Só o presidente pode esclarecer a manifestação dele.” (Veja)

André Fernandes, deputado estadual do PSL no Ceará

“Esse partido só cresceu por causa do Bolsonaro. Agora que o grupo dele saiu e quem entrou foi o grupo do (Luciano) Bivar, está afundando, está se queimando.” (O POVO)

Júnior Bozella, deputado federal (PSL-SP)

“Temos o caso do Queiroz e o do ministro do Turismo, e o presidente tenta encobrir esses dois assuntos ao mesmo tempo em que desfere ataques indevidos ao PSL.” (FSP)

Felipe Francischini (PSL-PR), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

“O recado da bancada é o seguinte: o presidente Bolsonaro fala as coisas, ele tem que explicar.” (Veja)

Alê Silva, deputada federal (PSL-MG)

“Eu também estou dando esse conselho para todos os meus seguidores e eleitores. Eu pretendo em breve também esquecer o PSL. É uma questão de tempo.” (Época)

Luciano Bivar, presidente do PSL

“A fala dele (Bolsonaro) foi terminal, ele já está afastado. Não disse para esquecer o partido? Está esquecido.” (Metro1)

BÔNUS

Alexandre Frota, deputado federal ex-PSL, atualmente no PSDB-SP.

“O PSL é dividido entre a tropa de choque, os olavos amestrados e os coisas. Querem saber quando vamos nos entender? Todos os dias temos que ficar limpando as cagadas do governo e aí temos que ouvir um monte de merda que não é culpa nossa.” (Exame, antes de ser expulso do partido)

Sobre a mais recente confusão no PSL:

“(O ataque a Bivar) mostra a canalhice e a covardia dele (Bolsonaro)” (Metrópoles)

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