Plínio Bortolotti

O triunfo da injustiça

Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião, O POVO, edição de 17/10/2019.

O triunfo da injustiça

O Brasil não está sozinho quando se trata de fazer a carga de impostos recair sobre os mais pobres. Estudo recente mostra que pela primeira vez nos Estados Unidos, depois da reforma tributária do governo Trump, os bilionários pagaram menos impostos do que a classe trabalhadora e os mais pobres.

Em 2018 a renda dos super-ricos foi tributada em 23%, enquanto os demais pagaram 24,4%. Para chegar a essa conclusão os economistas Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, da Universidade da Califórnia, analisaram dados desde 1950, apresentando o resultado no livro “The Triumph of Injustice” (O triunfo da injustiça).

Para se ver o quanto essa relação vem se deteriorando basta observar que, em 1950, os americanos mais ricos contribuíam, em média, com 70% dos impostos. Na década de 1970, incluindo todos os impostos, os americanos mais ricos recolhiam mais de 50% de seus rendimentos, duas vezes mais que a classe trabalhadora, informa o livro.

No Brasil, segundo afirma Amir Khair, mestre em finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), os brasileiros com renda até dois salários mínimos gastam até 49% de seus rendimentos com tributos. Os que recebem acima de 30 salários mínimos despendem apenas 26%.

A cobrança regressiva de impostos é uma das causas das desigualdades no mundo, pois retira renda das camadas mais pobres, favorecendo aqueles que estão no alto da pirâmide. O desnível está levando a uma inédita movimentação de bilionários americanos, que defendem o aumento de taxação para as próprias fortunas.

O nome mais conhecido desse movimento, que reúne dezenas de outros bilionários, é o do investidor Warren Buffet. Outro grupo de super-ricos, do qual participa Mark Zuckerberg, defende uma renda mínima universal para garantir a todos recursos básicos para alimentação, moradia, saúde e educação.

O temor de uma revolta dos que nada têm a perder deve rondar o pesadelo dos proprietários do excesso – e de um pouco mais.

PS. Com informações do El País.

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