Plínio Bortolotti

Governo Bolsonaro: por que saem os generais?

A saída de mais um general do governo de Jair Bolsonaro representa uma debandada de militares da alta cúpula da administração federal? 

A pergunta vem a propósito do pedido de demissão do general Maynard Marques de Santa Rosa, titular da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), por ter sido confrontado por um relatório no qual se apontavam falhas e baixa produtividade em sua gestão. A cobrança partiu Jorge Oliveira, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo (5/11/2019)

DEMISSÕES
Após o pedido de demissão de Santa Rosa, ainda segundo o jornal, Jorge Oliveira convocou reunião com os principais assessores da SAE para exigir mais eficiência na secretaria. Participaram o general Lauro Luís Pires da Silva (secretário especial adjunto de Assuntos Estratégicos da Secretaria-Geral); o general Ilídio Gaspar Filho (secretário de Ações Estratégicas); o coronel Walter Félix Cardoso (assessor Especial da SAE) e Wilson Roberto Trezza (secretário de Planejamento Estratégico e ex-diretor Agência Brasileira de Inteligência – Abin). Ao fim do encontro, todos eles também pediram demissão.

A amigos o general Santa Rosa dizia estar isolado no governo e queixava-se de que o ministro não levava adiante seus projetos, segundo o jornal Folha de Pernambuco (5/11/2019).

SEIS MILITARES FORA
Com a saída de Santos Rosa somam seis os generais que deixaram o governo. Os outros são os seguintes: Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo da Presidência), que cometeu a imprudência de indispor-se com Carlos Bolsonaro e com o “guru” da família, Olavo de Carvalho; Juarez Cunha (Correios), por ter criticado a privatização da empresa; Franklimberg de Freitas (Funai); João Carlos Jesus Corrêa (Incra) e Marco Aurélio Vieira (secretário especial de Esporte). É de se supor que essas demissões, especialmente a de Santos Cruz, tenham causado, no mínimo, desconforto nas Forças Armadas, porém, os disciplinados militares nada comentam.

O Palácio do Planalto ficou agora com oito militares entre os 22 ministros. E, além do vice Mourão, há cerca 2.500 militares em cargos de chefia ou assessoramento em vários níveis do governo. Portanto, respondendo a pergunta inicial, não se pode ainda falar em debandada de militares do governo federal.

AUXILIAR DO RADICALISMO
No entanto, Bolsonaro parece sentir-se cada vez mais a vontade para descartar seus colegas de farda que demonstrem qualquer discordância, preferindo cercar-se dos que se adaptam ou reforçam a política da família no caminho da radicalização à extrema direita. É o caso do general Augusto Heleno (titular do Gabinete de Segurança Institucional – GSI), transformado em “um auxiliar do radicalismo” de Olavo de Carvalho, segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

ESTUDAR O AI-5
Depois de o senador Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ter ameaçado com um “novo AI-5”, o general Heleno veio a público para dizer que era preciso “estudar como vai fazer”. Rodrigo Maia classificou como “repugnante” a declaração de Eduardo e também criticou a intervenção de Heleno, com as palavras registradas no parágrafo anterior.

Maia afirmou ainda que o general Heleno que ele pode ser convocado pela Câmara a prestar esclarecimentos sobre o assunto.

A ver.