Plínio Bortolotti

Um cordão sanitário para o Brasil

Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião, edição de 21/11/2019 do O POVO.

Um cordão sanitário para o Brasil

Nesta Ilha de Vera Cruz é comum confundir-se – propositalmente ou não – direita com extrema direita. Na Europa a separação é clara, sendo que a maioria de seus partidos conservadores guardam distância da ultradireita, estando muitas vezes na linha de frente do combate a essa ideologia nefasta.

Recente reportagem do El País mostrou que partidos conservadores de alguns países do Velho Continente criaram um “cordão sanitário” para evitar aproximação com legendas extremistas.

Na Alemanha, a União Democrata Cristã (CDU), partido da chefe do governo, Angela Merkel, vetou qualquer tipo de cooperação com a Alternativa pela Alemanha (AfD), de extrema direita. A Alemanha é governada por uma coalizão entre a direita tradicional e os social-democratas.

Na frança o “cordão sanitário”, chamado de Frente Republicana, reúne social-democratas e conservadores, que recusam-se a governar com a extrema direita. Eles têm o compromisso de unir forças quando há o risco do ultradireitista Reagrupamento Nacional chegar ao poder em alguma cidade ou região. Foi o caso da eleição do presidente Emmanuel Macron, em 2017.

Infelizmente no Brasil existe resistência até mesmo em classificar o presidente Jair Bolsonaro como um político de extrema direita, a definição precisa que lhe cabe. Sua última façanha foi iniciar a criação de um partido extremista “puro”, com seguidores subordinados incondicionalmente à vontade do chefe, para melhor implementar a sua política de ódio à diversidade, à cultura e à democracia. Portanto, no Brasil seria urgente a criação de “cordão sanitário” para isolar o ímpeto autoritário de Bolsonaro.

Mas é improvável que se forme por aqui uma barreira para conter a extrema direita. A direita brasileira conforma-se com as sobras do poder, independentemente de quem o empalme; em contrapartida, a esquerda parece mais preocupada com o próprio umbigo. Enquanto isso, o protofascistas tupiniquins agem com desenvoltura.

PS. Com informações do El País.

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