Política

Secretário admite queda de R$ 1,1 bi na receita e cobra “cautela”

209 1

Mauro Filho cobrou cautela em gastos durante audiência na AL (Foto: Divulgação / AL-CE)

O secretário da Fazenda do Ceará, Mauro Filho, pregou nesta quarta-feira, 4, “cautela” nos gastos do Estado para os últimos meses deste ano. Em audiência na Assembleia Legislativa, o secretário disse que o governo tem mantido metas e controle das finanças, mas admitiu perda de uma série de receitas do Estado para 2017.

Segundo Mauro, queda de receitas chegará a pelo menos R$ 1,1 bilhão. A maioria ocorre pois o Estado não receberá em 2017 recurso extra que teve ano passado por conta das repatriações de dinheiro não declarado no Exterior. Outra diminuição ocorre em recursos do Imposto sobre Transmissão “Causa Mortis” e parte de depósitos judiciários usados pelo governo.

“Eu acredito que o Estado deverá evitar aumento de despesa, além daquela que já está autorizada até o mês de setembro. Isso nos remete a uma obrigação de controle muito forte para não gerar qualquer desequilíbrio nas finanças, e é esse fator que serve de referência para decisões do setor privado no que diz respeito a investimentos no estado”, diz.

Contas em dia

A cautela decorre principalmente, avalia o secretário, pois perspectivas de retomada da economia ainda não tiveram repercussões claras na receita do Estado. Apesar da preocupação, o secretário destaca que o Estado tem cumprido todas as metas e resultados primários previstos para o ano, incluindo receita corrente 3,99% acima da previsão no quadrimestre.

Mauro destaca que o Ceará mantém índice baixo de endividamento, com perspectiva de novos investimentos para o futuro. “Investimentos nós temos que procurar fazer ao máximo, porque é o que move o crescimento econômico e a Assembleia está contribuindo para que se evite um descontrole que impera em outros estados, inclusive no Governo Federal”, enfatizou.

Outro lado

O deputado Heitor Férrer (PDT), no entanto, tem questionado na Casa discurso “otimista” com as finanças do Estado. Ele afirma que, enquanto o Estado destaca equilíbrio nas contas e capacidade de endividamento, faltam investimentos básicos em áreas essenciais para a população mais carente, como segurança e saúde.

“O Estado vai receber o hub da Air France, e isso é importante, porém é necessário investir no povo, na saúde e na segurança, que estão com números alarmantes e vergonhosos”, diz o deputado.  Ele destaca, por exemplo, corte de verbas para a Santa Casa de Misericórdia, que poderia ocasionar a suspensão de cerca de 250 cirurgias.

Recomendado para você