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Índice IEE, da Fecomércio e Corecon, aponta aumento do pessimismo na economia

Foto: divulgação

Em sua 25º edição, pesquisa bimestral realizada com 136 especialistas em economia demonstra aumento do pessimismo no ambiente econômico

De acordo com a pesquisa Índice de Expectativas dos Especialistas em Economia (IEE), realizada pela Fecomércio-CE e pelo Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-Ce), a deterioração recente do quadro econômico e político do País, bem como as incertezas no cenário internacional, impactaram negativamente as expectativas dos agentes econômicos consultados. O levantamento, que faz referência ao período maio-junho, registrou diferença negativa de 15,8% com relação ao mesmo período do ano anterior.

Conforme a metodologia da pesquisa, cada uma das nove variáveis analisadas pelos especialistas gera três índices: de percepção presente (93,2 pontos), futura (104,7 pontos) e de expectativa geral, que atingiu 97,1 pontos nesta aferição. Quando a pontuação se encontra abaixo dos 100 pontos, indica pessimismo. No mesmo período do ano passado (maio-junho-2017), o índice havia atingido os 115,3 pontos.

Os analistas revelaram, na pesquisa, pessimismo com quatro variáveis: taxa de inflação (91,6 pontos), salários reais (72,3 pontos), gastos públicos (59,2 pontos) e taxa de câmbio (37,8 pontos), que apresentou a menor pontuação. Em apenas cinco das nove áreas pesquisadas os especialistas apontaram otimismo: evolução do PIB (150,8 pontos), oferta de crédito (124,8 pontos), cenário internacional (116,0), nível de emprego (113,9 pontos), e taxa de juros (107,6 pontos).

Para o economista Ricardo Eleutério, conselheiro do Corecon-CE e analista da pesquisa em nome do Conselho de Economia do Estado, a deterioração em vários aspectos da economia e política nacionais, além de fatores internacionais, explicam o pessimismo. “Temos uma inflação que vem se acelerando, inclusive por conta da greve dos caminhoneiros. Mas temos um [taxa de] câmbio que também pressiona, e isso impacta o poder de compra dos brasileiros. A recuperação da economia, por seu lado, tem se mostrado lenta e descontínua.”

O aumento no dólar pode ser explicado pela instabilidade política e econômica nacional, mas também pelo comportamento da economia norte-americana, explica Eleutério. “Tivemos uma disparada do dólar no mundo todo, e sempre que isso acontece, o Brasil está entre os países nos quais a moeda mais se eleva. O motivo maior desta ascensão está relacionado à elevação dos juros dos títulos do tesouro dos Estados Unidos, que são mais seguros e estão ficando mais rentáveis. Os capitais que estão nos países emergentes migram para lá, e o dólar vai ficando escasso. ”

As perspectivas negativas acabam impactando materialmente a economia, explica o analista. “O otimismo observado no início do ano foi desaparecendo. Os resultados da produção, consumo e investimento foram se apresentando [no decorrer do primeiro semestre], cedendo lugar ao pessimismo. Os empresários adiam os investimentos, os consumidores adiam o consumo, é como uma profecia se autorrealizando. As expectativas movem bastante os agentes econômicos. ”

Em relação ao futuro, a maior preocupação enfrentada pelos brasileiros deverá ser o déficit público, acredita o economista. “A pesquisa indica perspectivas futuras melhores, mas de qualquer forma houve retração. O maior problema a ser enfrentado pelo próximo governo é o desequilíbrio fiscal brasileiro, há expectativa de se apertar mais ainda o cinto. Mas temos que buscá-lo, mesmo que isso não seja dito na campanha. Qualquer que seja o governo [eleito em outubro] terá que enfrentar esse problema.”

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