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A história de uma medalha. Conselhos de um campeão olímpico para alcançar objetivos

campeão olímpico César Cielo segurando duas medalhas, uma em cada mão

Cesar Cielo esteve recentemente no Ceará para a abertura do Torneio Master Sesc de Natação, quando compartilhou lembranças e experiências que podem ajudar a tirar do papel projetos engavetados (Foto: Divulgação)

O passo a passo para realizar seus maiores planos em 2020

Quantas vezes um pensamento negativo boicotou algo que você queria muito conseguir? Isso não acontece somente com pessoas comuns, atletas de alto rendimento também experimentam a desmotivação. Ter aprendido a lidar e controlar críticas internas foi o que levou Cesar Cielo a abandonar a descrédito em si mesmo e conquistar uma medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim, a primeira da história da natação brasileira.

O nadador esteve no Ceará para a abertura do Torneio Master Sesc de Natação, quando compartilhou lembranças, experiências e conselhos que podem te ajudar a tirar do papel projetos engavetados, seja no esporte, na carreira ou nos estudos. A primeira dica é ter clareza das metas, encontrar o sentido principal em conquistá-las. “É preciso buscar a resposta dentro da cabeça de vocês: o que lhe dá motivo para buscar mais?” Definidos os objetivos, deve-se manter a disciplina durante o processo. Ao contrário do glamour envolvido no esporte, de acordo com Cielo, rotina, repetição e monotonia são companheiras no treinamento de alto desempenho.

O atleta começou a treinar profissionalmente aos 14 anos e conviveu durante toda a adolescência com os sacrifícios pelo seu grande sonho de ser um campeão olímpico.”O treinamento não foi a parte mais difícil, ao contrário do que todo mundo pensa”, afirmou o atleta. Hoje, dezoito anos depois, mais de quatro mil provas disputadas, vê que o mais difícil são as renúncias da vida pessoal. Mais complicado do que qualquer torneio foi dizer não a grandes amigos quando era convidado a ser padrinho do casamento deles. “Estar disposto a abrir mão é a parte mais difícil, mas tive grandes amigos que, não só entendiam, como me davam apoio”.

Abandonar o derrotismo
Da raia dos perdedores, ao pódio em menos 24h. Nos bastidores das Olímpíadas de Pequim, antes de conquistar a medalha que o tornou mundialmente conhecido, Cielo amargou derrotas nas provas eliminatórias. No dia anterior à prova de 50 metros livres, o nadador já havia se dado por vencido. Após sua equipe ser desclassificada na prova de revezamento, ele ficou em quinto lugar na semifinal dos 100 metros livres. “Um dos maiores desgostos da minha carreira foi aquele quinto lugar, estava totalmente desacreditado, meu sonho olímpico havia acabado ali”, lembrou ele.

Quando recebeu a notícia de que havia conseguido se classificar na raia 8, estava tão pessimista que achava que seria o último lugar na prova seguinte. “Fiquei curtindo aquela deprê que todo mundo adora”, brincou o atleta.

Quando parou para analisar os maus resultados, chegou à conclusão de que precisava mudar algo, e a única alternativa era ter o controle dos próprios pensamentos. Avaliando os adversários, viu que tinha sido melhor que alguns deles antes, o que lhe deu esperança de chegar pelo menos em quarto lugar. “Eu empatei em terceiro lugar nos 100 metros livres, foi um dos momentos mais importantes da minha carreira”, disse ele para a plateia no Ginásio do Sesc Fortaleza.

A partir daí recobrou a autoconfiança. “Agora eu vou ganhar esses cinquenta”, foi a resposta firme ao jornalista em entrevista sobre a grande prova de 50 metros livres que disputaria no dia seguinte ao lado do campeão francês, Alain Bernard.

Não prolongar a tristeza, desviar o foco do nervosismo e ansiedade, ver situação de fora, três mudanças de pensamento que fizeram Cielo nadar mais rápido e vencer as Olimpíadas de 2008. “Em um momento falei que o sonho olímpico acabou, 24 horas depois falo que vou ser campeão olímpico, está tudo na nossa cabeça. Não deu tempo de treinar mais, só deu tempo de mudar o jeito de pensar. Esse tipo de pensamento que vocês têm que buscar, isso é treinamento”.

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