Repórter Entre Linhas

Epica vai direto ao ponto e controla a megalomania em ‘The Holographic Principle’

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Epica
The Holographic Principle (2016)
Nuclear Blast

Sete álbuns e 16 anos de história estabelecem o Epica como uma das mais experientes bandas de metal sinfônico em atividade. Em setembro de 2016, o grupo holandês lançou The Holographic Principle. Menos arriscado, o disco assume o metal como sua principal força motriz e vai direto ao ponto, sem firulas, mostrando a maturidade de quem não tem mais nada a provar.

A introdução “Eidola” compõe uma vibe cinematográfica. O coral infantil remete ao que o Nightwish, gigante do metal, fez com a obra-prima “The Poet and the Pendulum” (Dark Passion Play, 2007), só que numa crescente orquestrada dentro da própria delimitação conceitual.

Em seguida, a empolgante “Edge of the Blade” apresenta uma vertente mais pop do grupo. Refrão fácil. Cantando auto-aceitação. Uma música que deve agradar quem não é exatamente chegado ao metal a ponto de não incomodar o público mais tradicional.

Pautado na ficção-científica, o álbum explora um futuro próximo em que a realidade virtual não consegue se desvencilhar da realidade como conhecemos. Como um episódio de Black Mirror ou Battlestar Galactica. Ou o ícone da cultura pop Matrix, a referência descarada. Arrisco dizer que a banda bebeu direto do filme ao invés de ir na fonte das irmãs Wachowski, o pretensioso “Neuromancer” (livro de William Gibson). Sorte deles.

É desse conceito que saem as mais poderosas faixas, a exemplo de “Universal Death Squad” e “Beyond the Matrix”. Canções que devem ser lembradas pelos fãs e parecem sustentar performances mais robustas ao vivo. Destaque para as suaves “Once Upon a Nightmare” e “Dancing in a Hurricane” que ajudam a tornar a jornada pelo Princípio Holográfico menos cansativa.

Simone Simons é talentosa e tem aprendido a usar seu mezzo-soprano nos momentos certos. Especialmente nas faixas citadas, há um equilíbrio bonito entre agressividade e delicadeza. Uma versatilidade necessária para contrastar com os guturais de Mark Jansen sem cair na mesmice, o que é feito de forma exemplar em “The Holographic Principle – A Profound Understaning of Reality”. Uma odisseia de 11 minutos que encerra o registro.

O álbum mostra um sexteto mais controlado, sem aquela necessidade óbvia de assumir a megalomania em cada faixa. O problema com o Epica é que é tudo é grandioso demais. Bonito demais. Sinfônico demais. E quando tudo é sempre grandioso, nada é grandioso. The Holographic Principle mostra uma banda que faz a lição de casa e, definitivamente, sabe aonde ir.

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