Repórter Entre Linhas

Paulo Coelho diz que o politicamente correto vai matar a literatura

Em entrevista à Folha de S.Paulo para divulgar seu romance autobiográfico “Hippie”, Paulo Coelho falou sobre o momento de ascensão do conservadorismo e que vive “horrorizado” com politicamente correto. Abrindo o assunto, ele revela admiração pelo líder religioso Edir Macedo, e reconhece que não é recíproco.

Paulo Coelho afirmou que o conservadorismo vem do “sistema todo”, que não é apenas uma questão religiosa. Quando perguntado sobre sua relação com as protagonistas femininas, constantes em sua carreira como escritor, ele responde que sabe como é ser mulher.

“Claro que eu tenho sangue de mulher. Eu sou extremamente feminino. Porra, eu vejo umas críticas na Amazon sobre ‘O Alquimista’. O personagem vai viajar e volta para o oásis para encontrar a mulher. Começaram a aparecer críticas dizendo que é absurdo, que a mulher fica esperando e o homem sai”, diz.

Depois, diz ser contra revisão de obras para se enquadrar no que chama de politicamente correto. ”Espero que pare por aí. Isso não pode, cara. Você vai matar a literatura. Não dá para pegar a arte e fazer uma releitura politicamente correta. Em sua essência, ela é politicamente incorreta”, afirma. “O que eu acho correto é esse movimento de dar voz à mulher, quando ela é estuprada, por exemplo”.

Encontro com o demônio

No meio da entrevista, o jornalista Maurício Meireles relembra uma cena da biografia escrita por Fernando Morais em que Paulo Coelho acredita ter sido visitado pelo Demônio. Questionado se o encontro teria sido uma experiência psicodélica causada pelo uso de LSD, o escritor afirma que achou que inicialmente achou que estava em uma bad trip, “mas era real”.

“Não é o que eu acredito, eu tenho certeza. O diabo existe, sim. Eu me lembro da neblina, de achar que ia morrer. Como eu vou explicar isso? Fui visitado pelo Diabo. Naquela época tinha a barra pesada que eu frequentava [o satanismo]”.

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