Repórter Entre Linhas

Cearense Juarez Barroso renasce em antologia organizada por Natercia Rocha

Jornalista cearense revisitou artigos e crônicas publicadas pelo poeta em jornais do Rio de Janeiro

(Foto: Arquivo pessoal)

A produção literária do escritor cearense Juarez Barroso (1934-1976) é resgatada em novo livro. A antologia “Juarez Barroro: O Poeta da Crônica-Canção” (Substância, 2018) reúne estudos da música popular publicados em jornais do Rio de Janeiro durante a década de 1970. A organização é da jornalista Natercia Rocha. Nesta terça-feira, 6, ela lança o livro em evento no CCBNB.

O livro é dividido em quatro momentos: Estudos de Samba, Estudos de Choro, Estudos de Cultura Afro e Crônicas Musicais. São 31 textos originais do cearense veiculados no Jornal do Brasil, Correio da Manhã, Diário Carioca e na Revista Fatos e Fotos.

A vontade de organizar os textos de Juarez nasceu em 2013, quando Natercia conheceu a obra do escritor cearense. Ele lançou três livros: “Mundinha Panchico e o Resto do Pessoal” (1969) – o único lançado em vida; “Joaquinho Gato” (1976); e “Dra. Isa” (1978).

“Fiquei muito envolvida e impressionada com a literatura dele. Pensei: “Onde é que eu estava todos esses anos?”, lembra. À Natercia, foram confiados cartas, fotos e jornais usados pela professora Amélia Landim durante pesquisa de mestrado na Universidade Federal do Ceará (UFC), que pautaram o trabalho.

“Tenho certeza que o próprio Juarez guardava esses jornais. Havia uma seleção de matérias grandes. Separei todos os jornais aqui”, diz apontando para o chão e paredes do apartamento onde mora, no Centro de Fortaleza. “Eu apenas organizei esse livro com muita honra, muito amor. Foram dois anos de um trabalho para o Juarez. É uma justiça para ele”.

Natércia Rocha, jornalista e escritora (Foto: Tatiana Fortes/ O POVO)

Natercia é autora dos livros “Rumo Norte“, que acaba de completar 10 anos, “Contos de Ir Embora” (2014), e a biografia de “Chico Anysio” (2017) lançada pela Editora Dummar. Para juntar os textos de Juarez, precisou negociar com a própria família de Juarez. “Eles têm razão em preservar a obra do pai. O Juarez é nosso Guimarães Rosa, e os filhos têm consciência dessa importância”, afirma.

“Ele viveu contemporaneamente as histórias que ele conta, do Cartola, Candeia. Ele era frequentador do morro, era músico, gostava do povo mesmo. Daquele movimento do samba”, conta. “Ele vivia aquela áurea do morro carioca. Enquanto a bossa nova tava ali, Juarez subia o morro para escrever sobre a música dos negros e pobres. Imagina o tanto de preconceito que ele sofreu, no auge da ditadura”.

Para Natercia, fica o bom sentimento de resgate da memória das “pessoas da nossa terra” e de trabalhar pela valorização dessas personalidades. “Acho que tô fazendo a coisa certa. Estou feliz pelo Juarez”.

Livro “Juarez Barroso: O Poeta da Crônica-Canção” (Foto: Divulgação)

Serviço
Literatura em Revista – Lançamento do livro com Natercia Rocha
Dia 6, terça-feira, às 15h30
Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB)
Gratuito

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