Sincronicidade

Músicas que contam histórias de carnavais… e de vidas

CarnavalCom CARNAVAL, SUA HISTÓRIA E SUA GLÓRIA, e o lançamemento concomitante de 3 CDs, a REVIVENDO sente-se feliz em abrir uma nova série no seu catálogo, que, pemita Deus, possa ter continuidade. Esta preservação do nosso incomparável Carnaval, de todas as épocas, reveste-se de uma importância muito grande, já que a música carnavalesca canaliza não apenas componentes sentimentais e românticos, mas também de crítica política e dos costumes, aspectos folclóricos e tantos outros mais. Além disso, é indispensável para que as novas gerações tenham a possibilidade de identificar a formação e a expressão da alma popular brasileira através dos tempos. É que, sem dúvida, a Carnaval tem dado uma imensurável contribuição a esse processo. Todas as músicas, desde que possuidoras de valor, ainda que não tenham alcançado todo o sucesso esperado, poderão ser relançadas. Ao lados das canções que a preferência popular e o tempo tornaram clássicas, estarão outras que, por outros motivos, não podem permanecer esquecidas nas discotecas dos colecionadores.  A REVIVENDO pretende conduzir esta série dentro da abragência brasileira mais absoluta. Desse modo, cada vez mais, será ampliado o horizonte que se tem sobre os carnavais passados, tanto na perspectiva cronológica, como na de suas ricas manifestações em outras regiões do nosso país, carnavais que igualmente tiveram sua História e sua Glória.

Leon Barg

[Informação no encarte do CD Carnaval: sua História, sua Glória. Vol. 1. Revivendo].

As minhas manhãs de sábado são dedicadas especialmente a visitas a lojas de discos e livrarias. Um dos destinos dessas minhas romarias exploratórias ao mundo da música e das letras é o Egito. O Egito a que me refiro aqui não é país, mas o homem, José do Egito, da CD Music. Vez por outra apareço no Center um para uma visita ao Egito, sempre com o mesmo objetivo: verificar as últimas novidades recebidas da Revivendo. As conversas com o Egito já me renderam algumas excelente aquisições para a minha discoteca, entre as quais destaco uma coleção de quatro CDs do Lupicíno Rodrigues, além de algumas raridades como Pedro Vargas, Zequinha de Abreu, Francisco Alves etc.

A Produtora REVIVENDO Músicas foi a concretização de um sonho do pernambucao Leon Barg, nascido em 1930 e hoje residente em Curitiba. A partir de sua vasta coleção de discos de 78 rotações, decidiu criar a produtora com o objetivo de divulgar tal acervo em CD. Quem ganhou com isso foram os amantes da música e a própria MPB, pois a iniciativa de Leon Barg representa uma ação importante no sentido da preservação de nosso cancioneiro.

Dentre as muitas raridades lançadas até o momento pela REVIVENDO, quero destacar hoje a coleção Carnaval, sua história sua glória, que já conta com 30 discos no catálogo. Desde que comecei a adquirir a coleção, logo que foi lançada, tem sido um deleite escutá-los quando chega o carnaval.Cada CD vem acompanhado de um encarte com informações sobre as respectivas músicas. É, portanto, um material preciosíssimo para quem quer conhecer a história do nosso carnaval.     

O CD nº 12 traz a primeira gravação de Mamãe eu quero. A propósito dessa gravação, informa Abel Cardoso Júnior, no encarte: MAMÃE EU QUERO (1937) – sucesso permanente do carnaval e uma das músicas brasileiras até hoje mais conhecidas no exterior. No entanto, quando Jararaca (José Luiz Rodrigues Calazans), que a compôs com o maestro Vicente Paiva, procurou um cantor para gravá-la não encontrou nenhum que a quisesse. Todos a julgavam, sem exceção, destituída completamente de valor. Jararaca teve então de ir ao estúdio, ele mesmo, e cercado de comentários brincalhões dos músicos, que não concebiam “aquilo”. Almirante, que estava presente, e também desacreditava da marchinha, contou-me que, na gravação, ao sentir que um dos músicos soltara uma nota falsa, o maestro Simon Bountman, condescendente, apenas lhe dirigiu um gesto com o braço, como a dizer, “está bom demais, vamos em frente…” Essa descontração ou irresponsabilidade coletivas no entanto só colaborariam para o resultado final da gravação, leve e solto. Almirante, admirador e amigo de Jararaca, não se fez todavia de rogado em participar com ele da introdução dialogada, preparada na hora e apenas com a finalidade de aumentar o tempo da gravação, sem nenhum compromisso com a lógica. Com voz mais grave ainda, Almirante fez uma improvável mãe. A bem da verdade, Jararaca levava era fé no outro lado do disco, a marcha “Lá Vai Ela”. Enfim, contra tudo e contra todos, aconteceu o que aconteceu. Carmen Miranda se apresentaria com ela na América, em 1939, a gravaria e cantaria no filme “Serenata Tropical”, de 1940. Outros artistas e conjuntos internacionais consolidariam o sucesso mundial de “Mamãe Eu Quero” (I Want My Mama), que ninguém vislumbrara. Se arrependimento matasse… 

Abaixo, brindo os leitores com Mamãe eu quero em interpretação de Carmen Miranda.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=6P5Vtx1D7RQ[/youtube]

Mamãe eu quero é uma daquelas músicas que será sempre lembrada, especialmente pelo tom jocoso da composição. No início dos anos oitenta,  o diretor de cinema Boaz Davidson a utilizou em uma hilariante cena da comédia israelita-alemã Sapiche, mostrada a seguir.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=EPISzjsIbqY&feature=related[/youtube]

Endereço da Produtora Revivendo: http://www.revivendomusicas.com.br/

[Depois que postei este texto, recebi de Lilian Barg, filha do Sr. Leon Barg, a seguinte mensagem, enviada por e-mail:

Prezado Vasco
Agradeço seu email e o texto sobre a Revivendo.
Meu pai Leon Barg faleceu em 12/10/2009.
Eu e minha irmã Lais estaremos dando continuidade a Revivendo Musicas.
 
Atenciosamente,
Lilian Barg 
Revivendo Músicas
041-3253-3035]