Sincronicidade

As Deusas ou o feminino sacralizado

anuarioParabéns Mulheres, filhas da Grande Mãe, responsáveis pela volta das Deusas à Terra e pela manutenção da chama do amor e da fé no coração da humanidade.

Mirella Faur

[Faur, Mirella. O Anuário da Grande Mãe: guia prático de rituais para celebrar a Deusa. – 2ª. ed. – São Paulo: Gaia, 2001, p. 62.]

Comemora-se neste 8 de março em todo o mundo o Dia Internacional da Mulher. A adoção desta data para homenagear as mulheres foi proposta pela socialista alemã Clara Zetkin durante a Primeira Conferência Internacional de Mulheres, realizada em Copenhague em 1910. A data, portanto, completa cem anos. A escolha se deve a um fato trágico ocorrido numa indústria têxtil de Nova Iorque, quando, devido a um movimento por melhores condições de trabalho, 130 operárias foram encarceradas no interior da fábrica na qual foi ateado fogo, morrendo todas carbonizadas. Embora proposta em 1910, somente em 1975 a Organização das Nações Unidas – ONU oficializou a data.

O feminino, apesar de tão reprimido ao longo dos séculos, seja no hemisfério ocidental seja no oriental, sempre se impôs como um princípio em torno do qual foi construída toda uma mística do mistério, do obscuro, do difícil de entender, do indecifrável, enfim. Até mesmo o famoso bordão “Freud explica” teve que se render ao feminino como algo da ordem do inexplicável. Num de seus textos mais famosos, o grande psiquiatra vienense Sigmund Freud se viu obrigado a depor as armas da razão ante o inexplicável da mulher, denominando-a, depois de tentar em vão decifrar a enigmática esfinge feminina, o continente negro.

Uma das mais belas formas de manifestação do princípio feminino é através das Deusas, onipresentes em todas as culturas humanas. Mesmo nas culturas em que ela não apareceu de forma explícita, nem por isso deixou de manifestar sua face, ainda que sub-repticiamente.

Esse aspecto do feminino mereceu um belo livro de autoria da romena Mirella Faur. Intitulado O Anuário da Grande Mãe: guia prático de rituais para celebrar a Deusa, o livro traz, ao longo dos 365 dias do ano, as Deusas que são reverenciadas em cada dia nas diversas culturas da humanidade. Além de falar de cada divindade, a autora incluiu comentários e descrições sobre os respectivos rituais. Cada mês também é introduzido por um texto explicativo.     

Sobre a autora, encontrei a seguinte informação no site dedicado a ela: “Em 1991, durante uma peregrinação em Glastonbury, Inglaterra, Mirella teve

Mirella Faur

Mirella Faur

uma regressão espontânea. Ouviu a voz da Deusa ressoando em sua mente e em seu coração e não teve dúvida: passou a dedicar seu trabalho, sua energia e sua vida para a Deusa. Assumiu de corpo e alma a tarefa que Ela havia lhe designado: ajudar as mulheres a despertarem do pesadelo patriarcal e reconquistarem sua sacralidade milenar. Dois anos depois (1993), após uma intensa preparação interior, ela iniciava seu trabalho público com mulheres e só encerrou as atividades da Chácara Remanso em 2006, quando fixou residência em Águas da Prata, SP. Entretanto, continua a ler, a estudar, a escrever e a trabalhar. Apenas permitiu-se o remanso, justamente merecido, depois de uma vida de movimento. Sua obra não parou nesse retiro que escolheu para si e, em 2007, publicou mais um livro, Mistérios nórdicos. Mitos. Runas. Magias. Rituais”.

A propósito da figura da Grande Mãe, forma privilegiada de manifestação do feminino divinizado e presente nas mais diversas culturas, afirma a autora:

Ch’ang-O, deusa lunar chinesa

Ch’ang-O, deusa lunar chinesa

“Após séculos de ostracismo e esquecimento, a Grande Mãe está voltando. Na verdade, ela sempre esteve aqui, como a alma do nosso planeta, a sabedoria oculta do nosso eu interior, a chama do nosso coração. Fomos nós que nos distanciamos dela, renegando-a e negando a presença do Sagrado Feminino em nossas vidas. A Grande Mãe representa a totalidade da criação e a unidade da vida, pois ela é imanente, ela existe e reside em todos os seres e em todo o universo, ela é intrínseca à força da vida, aos ciclos da natureza e aos processos de criação. A escritora e militante feminista Starhawk, em seu livro ‘A dança cósmica das feiticeiras’, resume esse conceito de forma magistral: ‘A simbologia da Deusa não é uma estrutura paralela ao simbolismo do Deus Pai. A Deusa não rege o mundo. Ela é o mundo. Manifestada em cada um de nós, Ela pode ser percebida interiormente por cada indivíduo, em toda sua magnífica diversidade’. Esse conceito da imanência e permanência da Deusa foi representado por seus mais antigos símbolos: a Terra, a Lua, o Sol, o ovo cósmico, o uróboro (a serpente mordendo sua cauda), a espiral e o labirinto” (p. XV).

Para os interessados em obter maiores informações sobre Mirella Faur e suas atividades, sugerimos acessar o site: http://www.teiadethea.org/