Sincronicidade

Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

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Jesus Cristo, homem e Deus num só? Quem desde criança responde a essa pergunta com um “Claro que sim!”, tal como não vê problema algum em chamar a mãe de Jesus de Mãe de Deus, estranhará e até se irritará ao ver essa fórmula do Credo com um ponto de interrogação. Quer dizer que Jesus já não é realmente Deus para os crentes da modernidade? Se é assim, não merecem o nome de crentes! Esta confissão de fé é a pedra angular de nossa doutrina da fé! O Concílio de Calcedônia, em 451, definiu solenemente que na única pessoa de Jesus de Nazaré há duas naturezas unidas: uma divina e outra humana, sem mescla nem separação entre ambas. Desde então, considera-se esta confissão como a prova decisiva de pertença à grande comunidade cristã. Pode um cristão deixar de lado essa confissão e continuar sentindo-se honradamente um membro autêntico dessa comunidade? Por mais estranho que pareça, a resposta é afirmativa: sim, pois uma coisa não contradiz a outra. Mas isso só poderá ser entendido e afirmado se se aceitar examinar sem preconceitos a origem, o desenvolvimento e o alcance dessa fórmula de fé.   

Roger Lenares

[Lenares, Roger. Outro cristianismo é possível: a fé em linguagem moderna. Tradução Maria Paula Rodrigues. – São Paulo: Paulus, 2010, p. 101. (Coleção tempo axial).]