Sincronicidade

Uma família movida pela fé que a tudo supera

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O que uma criança poderia desejar além de tudo isso? Irmãos queridos (mesmo brigando de vez em quando), um pai sempre presente e uma mãe dedicada que sustentava nosso lar com seu trabalho e sabedoria! Ao final deste dia, tão parecido com meu pai – simples e singelo, mas também autêntico e cheio de significado -, quando eu abraçava papai, só podia sentir uma coisa muito profunda no meu coração, que não dava para ser explicada. Por isso eu dizia somente: “gosto tanto de meu pai que sinto até uma firuleza!”.

“Clélio de Benjamim”

[Mesquita, Clélio Kramer de; Oliveira, Suzana Kramer de Mesquita. Benjamim: um homem simples, que fez as escolhas certas e foi abençoado. – Fortaleza: Premius, 2011, p. 12.]

Cada dia me convenço mais de que as grandes amizades não necessitam obrigatoriamente do convívio diário para se manter.  Assim tem sido com a amizade que eu e Naza temos com o casal Clélio e Sandra. Embora raramente nos vejamos, existe entre nós um vínculo que o tempo e a raridade dos encontros face a face não desfez. Há poucos dias recebi um e-mail de Clélio comunicando que estava me enviando um livro que ele e sua irmã, Suzana, escreveram para homenagear o seu pai, o senhor Benjamim de Tomaz Flor, nascido em 1932 e falecido em 2010.

Já na noite do dia em que recebi o livro iniciei sua leitura. Aos poucos fui entrando na intimidade da família Kramer de Mesquita, desvendando aspectos da vida do sr. Benjamim e sua esposa, dona Elfrida, que após a leitura dos capítulos iniciais, passaram a ser apenas o Bambino e a Bambina, a forma carinhosa que o casal adotou para tratar um ao outro.

Gradativamente,  fui percebendo também o quanto uma fé sólida e bem estruturada pode constituir um fator fundamental de agregação em uma família. Isso ficou patente em especial a partir do momento em que o sr. Benjamim se descobriu doente.  Curiosamente, essa descoberta seria, depois, o motivador de uma grande guinada na vida do casal.

Clélio e Benjamim

O capítulo que trata do assunto é, seguramente, um dos mais belos do livro. Nele é  transcrito o relato que o casal Benjamim e Elfrida faz do que, creio, pode ser considerado um dos momentos mais singulares da sua vida, quando, em 2006, deixaram as comodidades de sua residência em Fortaleza para realizar uma experiência como missionários na cidadezinha de Monte Verde, no interior de Minas Gerais, época durante a qual habitaram um pequeno chalé. Eis um dos belos trechos do relato de sua experiência missionária, tão corajosa quanto exemplar:

Nós ouvíamos falar em agências missionárias, mas não conhecíamos nenhuma na intimidade, até que nos foi apresentada a Missão Horizontes, onde pudemos constatar como Deus chama e prepara a muitos para levar a mensagem de salvação aos que não teriam como ouvi-la. São pessoas como nós, sem nenhuma capacitação maior ou fé sobrenatural, mas que não duvidam de que o Senhor chama e cuida através da Igreja. Vimos muita dificuldade financeira. Infelizmente, de uma maneira geral, não temos nosso coração voltado a levar as Boas-Novas aos países oprimidos por falta do conhecimento da Palavra. Assim sendo, nós, que estamos vivendo no conforto e na liberdade do nosso país, deixamos de apoiar e enviar aqueles que se dispõem a deixar tudo por amor a Cristo. E eles sofrem por falta de sustento financeiro, por falta de nossas orações, de nosso amor revelado em atos (p. 128).

Concluindo o relato da experiência, escreve dona Elfrida:

Retornamos após um ano e meio à antiga vida de aposentados, mais pela deficiência de saúde do que pelo desejo de voltar. Desejávamos permanecer. O que mudou em nós em relação ao passado foi que continuamos ativos no que se refere a amar de maneira prática a obra missionária. Sem dúvida, essa foi a melhor experiência que tivemos nesse período de nossas vidas (p. 129).

Benjamim: um homem simples, que fez as escolhas certas e foi abençoado, é o relato emocionado da história de um homem que soube, em sua simplicidade, estabelecer e manter as bases de um lar que primou pelo amor e pela solidariedade, mas é, sobretudo, o relato de uma experiência de fé e inabalável confiança nos desígnios divinos.

Para concluir este breve comentário,  transcrevo o trecho em que um dos autores do livro – parece-me que, neste caso, trata-se da Suzana -, fala das características reveladas pelo seu pai ao longo da vida, carcaterísticas essas às quais se pode creditar o sucesso alcançado pelo sr. Benjamim no afã de, junto com dona Elfrida, edificar um lar alicerçado nos mais nobres princípios cristãos:

Resumindo tudo, eu definiria papai como “um facilitador, um pacificador”. Sim, essa era a sua atitude constante diante de tudo e de todos com os quais entrou em contato na vida. Era como se ele estivesse permanentemente dizendo: “Não vamos complicar!”; e para isso, ele usava aqueles três princípios básicos – simplicidade, senso de humor e cooperação. Que legado prático maravilhoso transmitido a nós através de seu próprio estilo de vida, de uma forma de amar refletida diretamente do relacionamento amoroso com Aquele que se tornou o Pai maior de nossa família (p. 139).