Sincronicidade

Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

Para o cristão, Jesus Cristo é o pleno comunicador do Pai. Sua comunicação do Pai assumia ares de autoridade, pois falava a partir de uma profunda experiência de conhecimento de Deus. O próprio Jesus diz isso a Felipe: “quem me vê, vê o Pai”. Em Jesus Cristo, o próprio Deus vem ao encontro do ser humano, revelando-se a ele numa ação carregada de carinho e compreensão. Ao mesmo tempo, ao revelar-se em Jesus, Deus também revelava ao homem a identidade mais profunda do ser humano, feito à imagem e semelhança Dele.  

Entretanto, ao assumir um corpo para comunicar-se com os homens na sua própria história, Jesus Cristo aceitava as ambiguidades que compõem a condição humana. Podemos dizer que em Jesus se sintetizam os elementos fundamentais da comunicação humana: emissor, mensagem e receptor. Enquanto emissor, ele transmite aquilo que ouviu do Pai, anunciando a chegada do Reino de Deus. Ao mesmo tempo, ele é a mensagem de vida e salvação para o mundo. É ele o Caminho, a Verdade e a Vida. Ao mesmo tempo, ele só fala do que conhece e do que viu e recebeu do Pai. Como só faz a vontade do Pai, ele é o exemplo da pessoa aberta à mensagem transmitida. Como sabe adaptar a mensagem às circunstâncias das pessoas com quem fala, também relativiza as normas de acordo com as necessidades. Desse modo, a circularidade comunicacional, desejada para a superação da verticalidade do processo, realiza-se plenamente em Jesus Cristo. Modelo de comunicador, ele comunga profundamente com aqueles com os quais interage.

Pedro Gilberto Gomes

[Gomes, Pedro Gilberto. O Jesus da Comunicação e a Comunicação de Jesus. In: Aquino, Marcelo Fernandes de (organização de). Jesus de Nazaré, profeta da liberdade e da esperança. – São Leopoldo: Ed. UNISINOS, 1999, p. 322.]